Quinta-feira, Janeiro 12, 2006

Folias de Reis: tradição que resiste aos modismos

A IMPORTÂNCIA DAS FOLIAS DE REIS NA CULTURA BRASILEIRA

► Trazidas ao Brasil pelos portugueses, as Folias de Reis são grupos de manifestações populares que representam a viagem dos Três Reis Magos do Oriente - Melquior, Gaspar e Baltazar - com destino à Manjedoura onde nasceu o Menino Jesus. Suas saídas, as quais chamamos de Jornadas, se dão em duas fases: na primeira, que começa dia 24 de dezembro e vai até o dia 6 de janeiro, as Folias cantam saudando o nascimento de Jesus Cristo e cujos versos se baseiam nas antigas profecias que anunciam o advento do Salvador; na segunda fase, que vai de 6 a 20 de janeiro, elas cantam em louvor a São Sebastião (Padroeiro do Rio de Janeiro) e, nesse caso, não são obrigados a carregar os palhaços, que representam os soldados de Herodes, cuja vestimenta significa a farda: máscara, capacete, bastão e espada.
A PRIMEIRA JORNADA - Segundo historiadores, ao saber, através dos Três Reis Magos, que nasceria em Belém o Rei dos Judeus, o tetrarca da Galiléia (Governador) Herodes conversou com eles a respeito do acontecimento e, fingindo interesse em adorar o novo Rei, pediu para os Três Reis Magos que, na volta, passassem em seu Palácio, para lhes dar a localização exata do recém nascido. Sabendo das más intenções de Herodes, os Três Reis decidiram voltar por outro caminho. Antigos Mestres de Folias acreditam que, tão logo os Santos Reis saíram, o tetrarca tenha mandado seus soldados segui-los, para saber onde estava o Menino Jesus. Daí, a tradição nas Folias de Reis de os palhaços não poderem ultrapassar a bandeira. Eles só se posicionam nas laterais ou na retaguarda. Isto porque os soldados nunca conseguiram alcançar os Reis Magos. Eles podem, no entanto, dançarem na frente da bandeira, desde que retirem a máscara.

Cabe ainda observar que a primeira fase das jornadas acontece no interior do Estado, quando as Folias de Reis saem entre os dias 24 de dezembro e 6 de janeiro. Geralmente esses grupos são formados por trabalhadores da lavoura, que antecipam seu trabalho para se dedicar à jornada durante esses doze dias. A segunda fase acontece nas cidades grandes, como Duque de Caxias, com grupos formados por trabalhadores urbanos, que não podem sair todos os dias. Por isso, só saem aos sábados e domingos, até o dia 20 de janeiro, num total de quatro finais de semana que representam os doze dias de viagem dos Três Reis Magos.

Ainda segundo alguns Mestres Reiseiros antigos, durante a jornada os Reis Magos pediram pousada nas casas por onde passavam. Depois de ficarem cientes do motivo da viagem, as famílias mais abastadas concediam ofertas, enquanto que as mais pobres, que também os acolhiam, nada podiam oferecer. Por isso, deles partem essas ofertas. No retorno às suas terras, depois da visita ao Menino Jesus, percebendo a grande quantidade de dotes que lhes sobraram, resolveram dar uma grande festa, para anunciar que viram, realmente, o Rei dos Judeus. Desta comemoração participou todo povo, que comeu e bebeu farta e gratuitamente, ao mesmo tempo em que improvisavam instrumentos musicais para animar a festança, a qual se tornou uma tradição que se repete todos os anos.

Dizem os antigos Mestres que foi inspirada nessa comemoração que surgiram os primeiros grupos de Folias de Reis. Estes, quando saem em jornadas, ao chegarem às casas para cantar, é como se estivessem pedindo pousada. Em suas cantorias, os Grupos de Folias falam das profecias acerca do nascimento de Cristo. Em casas que têm Santos, estes são saudados. Os anfitriões geralmente dão à Bandeira mantimentos ou uma oferta em dinheiro ou mantimentos, sem que seja estipulada quantia. No entanto, quando o dono da casa nada pode oferecer, o Mestre da Folia manda comprar alimentos fora para os moradores prepararem uma Ceia e da qual participam todos os presentes. Com o dinheiro que sobra das ofertas, os grupos promovem uma festa, chamada Festa de Arremate, que significa a Festa dos Reis, realizada até, no máximo, o dia 20 de dezembro. Se a Festa não for realizada, o grupo não sairá no ano seguinte, como manda a tradição.

A CHEGADA DAS FOLIAS NO BRASIL E OS PRIMEIROS GRUPOS

► As Folias de Reis constituem uma tradição do folclore brasileiro. Elas chegaram ao Brasil com os portugueses, os chamados "galegos", que traziam em sua bagagem essa herança, ainda decorrente da ocupação da Península Ibérica pelos mouros, segundo nos revelam velhos diretores de grupos. Trata-se de uma representação, lembrando os medievais, da jornada que levou os Três reis Magos a Belém. Essa jornada, lembrada no Reisado, teve vários incidentes e o imaginário popular colocou os soldados de Herodes perseguido os magos peregrinos.

É uma manifestação de origem árabe, que chegou a Europa com a invasão. As primeiras Folias de Reis no Brasil foram patrocinadas por fazendeiros, que promoviam disputa com os representantes das fazendas vizinhas. Às vezes, quando havia rixa entre os senhores das terras, para que eles não brigassem, punham as Folias para disputar. A que perdIa ficava desmoralizada e seus membros eram punidos pelo fazendeiro derrotado.

O folclorista e pesquisador Edgar de Souza, presidente da Federação de Reisado do Estado de Rio de Janeiro (Frerja), com sede em Duque de Caxias, lembra que essas disputas eram chamadas de "encontros". Nestes, os Mestres escolhiam o tema a ser abordado, sempre baseados no Velho ou Novo Testamento. Cada Mestre cantava em versos de quatro ou mais linhas, como num repente, parando em seguida para que o outro desse continuidade à historia, a partir de onde ele havia parado. Os encontros, que duravam horas, só se encerravam quando alguém errasse o texto ou não conseguisse dar continuidade ao tema escolhido. Aí, ao demonstrar pouco conhecimento da Bíblia, o grupo perdia tudo, principalmente a Bandeira, que era o troféu maior do vencedor - esta ficava presa na fazenda de origem da Folia vitoriosa até o próximo encontro, quando o outro provasse ter ampliado a sua cultura bíblica. Geralmente, o grupo perdedor não se conformava com a perda e saía para a briga.

Noutras ocasiões, uma Folia se escondia no mato para esperar a outra que certamente passaria por ali. Seus membros ficavam quietos até o momento oportuno. Quando passasse o último folião do grupo rival, então o Mestre, com apito, obrigava a outra Folia retornar e começava ali uma disputa. Edgar recorda que "encontros" aconteciam até recentemente e de uns tempos para cá a Federação de Reisado começou um trabalho de conscientização junto os membros para evitar os tais "encontros". Mesmo assim, segundo ele, ainda há grupos que mantêm essa tradição e a Federação vem fazendo os esforços necessários para evitar atrito dos foliões com a polícia, uma vez que os grupos, em algumas cidades, estavam proibidos de saírem às ruas devido a conflitos.
TOADAS - As músicas das Folias de Reis têm características próprias e são chamadas de toadas. Geralmente são compostas pelos próprios membros. Alguns deles, segundo Edgar, têm mais de cinquenta composições em seus repertórios. "As toadas são de maior aceitação popular e chegam às vezes até mesmo a serem gravadas por grandes nomes da Música Popular Brasileira", observa Edgar de Souza, citando como exemplo Milton Nascimento, que gravou "Calix Bento", Martinho da Vila ("Folia de Reis"), Mazaropi ("Tristeza do Jeca"), e Trio Parada Dura ("Viagem dos Magos"), com o nome de Folia de Reis. "Aqui em em Duque de Caxias, a Folia de Reis Penitentes Flor do Oriente toca em suas marchas uma batida rítmica idêntica ao Bolero, de Ravel. Há quem diga que o famoso compositor francês possa ter se inspirado em algum grupo ainda remanescente de alguma região da Europa", acredita.

A Federação de Reisado, criada em 1972, surgiu da necessidade da preservação desse segmento cultural, existente há várias décadas. Ainda existem grupos de Folia de Reis com cerca de 150 anos de existência, como a Estrela Guia de Xerém, fundada em 1851 em Duque de Caxias, Manjedoura da Mangueira, na Favela da Mangueira, em 1855, no Município do Rio de Janeiro, e a Penitente Flor do Oriente, de Duque de Caxias, no ano de 1862, entre outras, muitas delas do interior do Estado.

Somente no Estado do Rio de Janeiro, existem cerca de 500 grupos de manifestações populares. A Federação de Reisado, através de um minucioso trabalho de pesquisa, catalogou 480 grupos. "Porém, de acordo com nosso levantamento, mais da metade desses grupos está ameaçada de parar suas atividades dentro de pouco tempo. Esta manifestação popular infelizmente poderá, daqui a alguns anos, ser vista apenas em vídeo e fotografias", lamentou Edgar. Segundo ele, talvez por falta de campanhas eficazes de preservação, ou até mesmo em detrimento de outras iniciativas culturais de maior apelo popular.
CD - O trabalho da Federação é, principalmente, conscientizar, unir e apoiar os grupos, evitando a sua paralisação, além de promover o resgate da história dessa grande manifestação popular. Uma das iniciativas criadas há alguns anos é o "Projeto Folias de Reis", que foi concebido para conscientizar as autoridades culturais para que não permitam o desaparecimento desses grupos que têm um grande significado para a Cultura Popular do Brasil. No ano passado, a Frerja conseguiu editar um CD com apresentações ao vivo de alguns Grupos de Folias de Reis, como a Manjedoura da Mangueira, Penitente Flor do Oriente e Estrela do Oriente. O disco, que também trás também depoimentos, tem narração da historiadora Patrícia Peralta. O CD pode ser adqurido nas lojas da Funarte. A Federação de Reisado do Estado do Rio de Janeiro (Frerja) foi fundada em junho de 1972 e funciona na Av. Duque de Caxias nº 207, sala 210, centro, Duque de Caxias. O telefone para contato é (021) 3475-5602.


► 22 de agosto é o Dia Nacional do Folclore. Para marcar a data, a Federação de Reisado de Duque de Caxias vai promover uma festa popular no dia 17 do mesmo mês, no Corredor Cultural da Rua José de Alvarenga, no centro. Segundo Edgar de Souza, para o evento foram convidados 100 grupos de Folias de Reis e outras manifestações populares de várias partes do Estado. A comemoração conta com o apoio da Secretaria de Cultura de Duque de Caxias.

PRISÃO POR ENFRENTAR A DITADURA MILITAR
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► Eterno apaixonado pelo Teatro, o ator Edgar de Souza sentiu na pele a força do regime vigente e da censura, durante a ditadura militar que se instalou em 1964. Depois de percorrer diversos estados apresentando o monólogo "As mãos de Eurídice", de Pedro Bloch, sucesso de público e crítica e popularizada pelo ator Rodolfo Mayer, Edgar foi convidado pelo ator, diretor, teatrólogo e jornalista Laís Costa Velho para encenar uma comédia, batizada de "Festival de Defuntos", do radialista e ator Luís Fernando, e que satirizava a triste situação da cidade de Duque de Caxias na década de 60, quando era alvo da imprensa senscionalista do Rio de Janeiro, garantia de venda para jornais como O Dia, A Notícia, Luta Democrática, ou de revistas como O Cruzeiro, Noite Ilustrada, Manchete e Fatos & Fotos.

Programada para ocupar o palco do Sesi, no centro, ainda no mesmo ano de 1964, como lembra Edgar de Souza, a peça tinha como cenógrafo o professor, publicitário e artista plático Antônio Pacot, velho amigo e parceiro de Laís em outras empreitadas. Embora o grupo tenha recebido diversos recados das autoridades policiais, de que a peça estava proibida, ela foi exaustivamente ensaiada e marcada a sua estréia. No dia programado para abrir as cortinas do palco, um grupo de policiais miltares chegou ao teatro. De armas em punho, os bravos PMs levaram preso Edgar de Souza, Antônio Pacot, Laís Costa Velho e Luís Fernando.
Os quato foram acusados de "praticar crime contra a Segurança Nacional" pela tentativa de mostrar, de forma muito bem humorada, os crimes sem conta praticados na Baixada Fluminense, geralmente atribuídos aos chamados "esquadrões da morte", que tinham a participaão de policiais e visavam, geralmente, pessoas tidas como "inimigas" do regime. Na verdade, os representantes da Ditadura não podiam ouvir falar na palavra Cultura, que lhes provocava uma reação instintiva de sacar suas armas e apontá-las para aqueles que buscavam, na arte, uma maneira de, sem empunhar armas, lutar contra toda forma de opressão.

Felizmente, a História não se rende aos censores e prepotentes, deixando sempre um espaço generoso para os que lutam contra a violência e o preconceito, como Edgar de souza, presidente da Federação de Reisado do Estado do Rio de Janeiro desde a sua fundação.


A raríssima foto mostra o momento da prisão de Edgar de Souza (em primeiro plano) e Antônio Pacot (atrás do PM com capacete)
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(Josué Cardoso para a Revista da Cultura Caxiense nº 5, Abril de 2003. Foto: Instituto Histórico da Câmara Municipal)

As ações do Instituto de Pesquisas e Análises Históricas e de Ciências Sociais da Baixada Fluminense (IPAAB)

► Os anos de 997/98/99 marcaram para o Município de São João de Meriti o início e a concretização de um velho sonho de historiadores da Baixada, o de resgatar e dar um corpo orgânico ao ideal de ver o nosso passado tratado de uma forma científica e democrática.

Vencida a etapa da sensibilização, da credibilidade e da busca de informação através do acervo bibliográfico, partiu-se para a divulgação deste saber pela então criada "Revista Memória" e em dois importantes eventos que foram os três cursos sobre a "História da Baixada" em 1997/2002 e 2003 e o da formação de "Guias Históricos e Ambientais" em 1999 e de "Encadernação" em 2001. Paralelamente foi implementado em vários ciclos de palestras em escolas e instituições, exposições fotográficas e filmagens em vídeos de sítios históricos e personalidades do mundo político.

Outro importante trabalho tem sido a restauração deste acervo com encadernação e reprodução de obras raras, como livros, plantas cartográficas e fotografias, já deterioradas com o tempo. Tal acervo tem servido permanentemente aos estudantes e estudiosos da história regional. “A realidade é que hoje já encontramos estudantes da história, da geografia, da sociologia e das ciências sociais, desenvolvendo trabalho de pesquisa monográfica e até dissertação de mestrado”, observa o professor e historiador Gênesis Torres.

- Sentimos nesta caminhada que a Comissão criada pelo Prefeito Antonio de Carvalho teria que institucionalizar-se, o que então fez surgir o Instituto de Pesquisas e Análises Históricas e de Ciências Sociais da Baixada Fluminense (IPAHB), o primeira do gênero. Nosso trabalho tem sido meticulosamente projetado, dentro da coerência própria do planejamento e da visão que requer o trabalho científico da pesquisa. Do ponto de vista educacional, faz-se sentir o despertar da consciência histórica regional nas diversas camadas sociais e intelectuais, que lutam pela restauração e preservação do nosso patrimônio histórico. “Entendemos que o momento é propício ao desenvolvimento de projetos na área da história, da educação social e da situação ambiental, pois há uma motivação intrínseca entre os vários setores da sociedade pelos aspectos místicos criados pela mídia e nas expectativas de esperanças de um mundo novo”, observou Torres.

OBJETIVOS - O IPAHB, dentro dos objetivos que se propõe, inclui o de resgatar a história, levantar o seu patrimônio e propor sua conservação, desenvolver cursos de cunho social educativo e abrir o debate de políticas urbanas ambientais e do turismo, através de cursos, conferências, debates e pesquisas que sirvam de apoio às políticas governamentais aos níveis local e regional. A questão ambiental tem se tornado, no mundo, uma questão de sobrevivência do homem. A Baixada Fluminense é o exemplo mais típico desta questão. Dados oferecidos por Organismos Nacionais e Internacionais apontam o alto índice de poluição atmosférica detectado nesta região, colocando-nos entre aqueles que não cuidam do ar que se respira. Este fato tem trazido incômodos à saúde de nosso povo, com grandes investimentos para combater os males causados pela degradação ambiental.

Daí a necessidade da discussão histórica das questões ambientais em uma Baixada que apresentava no século XVI 98% de cobertura vegetal e uma dezena de rios navegáveis. “Hoje com o processo desordenado de ocupação, a Baixada e, em especial o nosso município, vem apresentando condições desumanas, causadas sobretudo pelas questões de saneamento, tendo vetores como a água, o ar e o solo, o lixo e o esgotamento sanitário como questões urbanas mais graves. Acreditamos que o IPAHB, ao assumir esta discussão juntamente com a comunidade e o Poder Público, pode contribuir para criar uma atmosfera de entendimento na busca de soluções dentro de um processo de conscientização popular. Na abertura dessas discussões, estamos propondo um conjunto de ações integradas de cursos e palestras juntamente com a comunidade estudantil, comunidade de bairros, entidades e outros segmentos interessados”.

O elenco de cursos e palestras oferecidos poderão sofrer modificações desde que haja interesse da comunidade. “Assim atuando, acreditamos que estamos dando passos importantes na transformação do social em uma região que carece de informações e dados que façam avançar a consciência crítica do cidadão quanto à sua diversidade etnológica, histórica, geográfica e sociológica. Na consecução destes objetivos estamos desenvolvendo projetos que visam satisfazer aos anseios da população”, concluiu o historiador.

(Josué Cardoso para a Revista da Cultura Caxiense nº 5, Abril de 2003)

O começo de um sonho no Balé Bolshoi

► Jullie Anne, de 13 anos, conseguiu realizar o grande sonho de sua vida: ingressar na Escola de Teatro Bolshoi, em Joinville, em Santa Catarina, a única instalada fora da Rússia. Nascida em Goiânia, ela reside no bairro Centenário, de onde, durante cerca de cinco anos, se deslocava diariamente para a Escola Estadual de Dança Maria Onelewa, no bairro carioca da Lapa. “Minha rotina era muito cansativa mas agora sei que o esforço valeu a pena”, contou à Revista da Cultura Caxiense, durante visita à Secretaria de Cultura, onde revelou que sempre sonhou em ser bailarina de uma das mais tradicionais companhias de balé do mundo. Ela embarcou dia 18 de fevereiro para Santa Catarina, onde ficará instalada para se dedicar exclusivamente ao balé.

Jullie começou a freqüentar aulas de balé aos 8 anos, na Escola Maria Onelewa. “Só de ônibus, para ir e voltar, eram cinco horas”, informou. Já no primeiro ano, dançou “A Bela Adormecida”, tendo assim a sua primeira oportunidade de atuar no palco do Teatro Municipal. Sobre sua ida para o Bolshoi, ela contou que foi uma das quatro únicas selecionadas para o Bolshoi no Brasil, que atende a maiores de 11 anos. Além dela, foram selecionadas uma de Santa Catarina, uma de São Paulo e outra do Uruguai. Ela conta que em 2001, atendendo um anúncio da escola, enviou correspondência para lá solicitando maiores informações. Em novembro do ano passado, decidiu fazer a inscrição e remeteu uma fita de vídeo, tendo sido selecionada para as provas, realizadas no mês seguinte. Jullie disse que eram mais de 300 candidatas inscritas, residentes em várias partes do mundo.

A falta de condições da família para pagar R$ 4.200 anuais, não foi motivo para desistir do sonho. “Mandei uma carta dizendo que desejava estudar lá e tentar ser a primeira bailarina do balé Bolshoi mas que minha família era humilde e não tinha condições de pagar”. Para sua alegria, obteve como resposta a concessão de uma bolsa de estudos por patê do governo de Santa Catarina.

O afastamento de sua família para se dedicar à realização do seu grande sonho é outro desafio que diz conseguir vencer com o tempo. “Acho que a saudade vai atrapalhar nos primeiros meses. Mas depois acredito que vou me acostumar com isso. Afinal, o sonho é sempre maior que as dificuldades”. A máe Sueli Rodrigues disse que já se sentia conformada com a situação, apesar de sentir saudades por antecedência. “Com ela perto de mim fico mais tranqüila mas como não há outro jeito, estou conformada e ficarei torcendo para que tudo dê certo, pois afinal ela não pode perder essa oportunidade”.

A Escola do Teatro Bolshoi atende 100 bolsistas da rede pública de ensino de Santa Catarina, além de alunos de outras partes do país e também do exterior, com a mesma qualidade e responsabilidade social da Escola Coreográfica de Moscou, criada em 1776 e que até hoje é tida como a melhor do mundo. No Bolshoi de Santa Catarina, que conta com 60 profissionais, entre professores e pianistas da Rússia e do Brasil, 85% dos atuais alunos são bolsistas vindos de famílias de baixa renda. Para garantir a qualidade, a escola brasileira tem um acompanhamento rigoroso da matriz russa. A sucursal em Santa Catarina foi inaugurada há três anos, em março de 2000. A data se transformou num marco histórico para a companhia, que pela primeira e única vez, até o momento, abria uma filial fora do território russo, em 225 anos de existência.

(Josué Cardoso para a Revista da Cultura Caxiense nº 5, Abril de 2003)

Duque de Caxias completa 59 anos de fundação

► Duque de Caxias ganhou status de Município em 31 de dezembro de 1943. Até então chamada de Vila Meriti, ganhou novo nome em homenagem ao Marechal Luís Alves de Lima e Silva, nascido em 1803 na Fazenda São Paulo, hoje chamada Taquara. O Poder Executivo foi instalado oficialmente em 1º de janeiro de 1944, quando o então interventor federal Ernani do Amaral designou para responder pelo expediente da prefeitura o contabilista Homero Lara.
Antes de eleger o primeiro prefeito, Gastão Glicério de Gouveia Reis, que administrou a cidade de setembro de 1947 a dezembro de 1950, o município ainda passou pelas mãos de outras nove pessoas nomeadas. Depois de Gastão Reis, administraram Duque de Caxias, escolhidos pelo voto direto, Braulino de Matos Reis, Francisco Correa, Adolpho David, Joaquim Tenório Cavalcante e Moacyr Rodrigues do Carmo.

As eleições, no entanto, foram interrompidas em 1971, quando a cidade passou a ser considerada, por decisão do regime militar, como "área de segurança nacional". Após o término do mandato de Moacyr do Carmo, em 31-12.1970, assumiu o presidente da Câmara, Francisco Estácio da Silva, pelo qual respondeu até 19 de julho de 1971. Durante toda a vigência do ato de força, a população foi obrigada a conviver com quatro "interventores": o general Carlos Marciano de Medeiros, os coronéis Renato Moreira da Fonseca e Américo Gomes de Barros Filho e o ex-deputado Hydekel de Freitas Lima.


A reconquista da autonomia só veio em 1985, como desfecho de sucessivas campanhas desenvolvidas por lideranças políticas, empresariais, sindicais e comunitárias. No mesmo ano, foi eleito Juberlan de Oliveira, então deputado estadual e cujo mandato foi de apenas três anos. Teve como seus sucessores, em mandatos de quatro anos, Hydekel de Freitas, José Carlos Lacerda, Moacyr do Carmo e José Camilo Zito dos Santos Filho, o primeiro reeleito na história do município.

A cidade, cujo orçamento previsto para este ano é de R$ 400 milhões, possui uma extensão territorial de 465,7Km² (o que representa 6,8% da área total do Estado e 35% da área total da Baixada Fluminense), divididos em quatro distritos, que compreendem 40 bairros reconhecidos pela prefeitura. De acordo com o Censo do IBGE de 2000, o município abriga 770.858 habitantes e a taxa de crescimento anual da população é de 1.90%. A população urbana é de 767.724 e a rural 3.134. Como no restante do País, as mulheres são maioria (397.583 contra 373.275 homens).

De acordo com o Anuário Estatístico do Estado do Rio de Janeiro de 1999 e 2000, enquanto o município do Rio de Janeiro teve o aumento do PIB (Produto Interno Bruto) de 0,7%, nossa cidade, que ocupa o segundo lugar no ranking de arrecadação de ICMS do Estado e oitavo do País, teve um crescimento de 18,7%. A cidade está entre as dez que mais cresceram nos últimos anos

O novo plano diretor tende a elevar Duque de Caxias ao nível de uma das maiores cidades do Estado do rio e do País. Investimentos do porte da ampliação da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), a fábrica da Nestlé, o International Business Park, o Pólo Tecnológico de Xerém, o Pólo Gás Químico e a Termelétrica a Gás, entre outros, garantem essa afirmação. Mas, acima de tudo, a credibilidade e o novo modelo de gestão implantado pela atual administração credenciam o município a ser, nos últimos anos, um dos principais focos políticos, sociais e econômicos do Estado.

É o 27º município do Estado nos indicadores sociais (IDH e ICV) e tem a 2ª arrecadação de ICMS do Estado para os próximos 20 anos. Possui cerca de 10 mil estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, além de abrigar a 2ª Refinaria do país. Até 2004, cerca de US$ 3 bilhões serão investidos em apenas três empreendimentos: ampliação da Reduc, construções do Pólo Gás Químico e da TermoRio, gerando mais de 20 mil empregos nas fases de construção e operação A expectativa é crescer ainda mais 25% nos próximos dois anos. Os principais segmentos industriais são Químico/petroquímico, Metalúrgico/gás, Plástico, Mobiliário e Têxtil/vestuário.

(Josué Cardoso para a Revista da Cultura Caxiense nº 4, Dezembro de 2002)

Terça-feira, Janeiro 10, 2006

Feira de Domingo: o resgate das tradições nordestinas na Baixada

► Considerada uma das maiores atrações de Duque de Caxias há algumas décadas, a tradicional Feira de Domingo é talvez a maior feira livre do País. São cerca de 2000 barracas distribuídas por toda a Avenida Presidente Vargas, trechos da Avenida Duque de Caxias, da Rua Gastão Cruls e adjacentes. Um verdadeiro pedaço do Nordeste brasileiro encravado na Baixada Fluminense, fazendo parte da vida da população local e até mesmo de outras cidades. Como ocorre há mais de meio século, milhares e milhares de pessoas reservam uma parte do domingo para visitá-la, seja para as compras rotineiras - frutas, legumes, carne, aves e ovos - ou de produtos diversos, como ferramentas, louças, roupas, sapatos e peças em geral.

A culinária nordestina, que já teve ênfase maior, especialmente na década de 70, atrai grande parte dos freqüentadores em busca de produtos ou para saborear iguarias como carne de sol, feijão de corda, tapioca, queijo-de-coalho e aguardente das mais variadas marcas. Os anos setenta e até mesmo parte dos oitenta foram época também de pujança artística. Era comum encontrar em algum ponto da Praça Governador Roberto Silveira, repentistas e cantadores, como o saudoso Mineiro da Viola (ele chegou a representar o Município em eventos fora da Baixada), que aproveitavam a grande movimentação de pessoas para mostrar seus trabalho e participar de rodas de conversas. Também havia literatura de cordel, oficina de artes, teatro popular e apresentações de malabaristas.

Antes apenas um local de encontro de colecionadores, a chamada “Feira de Passarinhos” é hoje um segmento alvo de permanente polêmica e que aparece com freqüência no noticiário policial. Apesar da repressão liderada por órgãos de defesa do meio ambiente, mais acentuada nos últimos anos, ele ainda atrai muitos interessados em pássaros e animais silvestres, como micos, jabutis, papagaios e araras, entre muitas outras espécies. As batidas vêm sendo feitas com freqüência pelo Instituto Estadual de Florestas com apoio da polícia e da Guarda Municipal, cujo resultado é a apreensão dos animais e autuação dos comerciantes.

A Feira de Domingo, retratada em literatura de cordel por Barboza Leite, é uma tradição que vem desde a década de 40, não havendo registro preciso do ano. No entanto, notas publicadas na imprensa local e em livros relatam que sua origem é mais antiga, ainda nos anos 20. Naquela época, as plataformas da Estação Ferroviária de Meriti serviam de tabuleiros para venda de mercadorias, aproveitando o grande fluxo de pessoas. Com o passar dos anos, a Avenida Presidente Vargas consolidou-se como ponto de referência do comércio aos domingos e este foi-se ampliando para os logradouros adjacentes.

Ao longo de todas essas décadas, a Feira resistiu a muitas tentativas de mudanças. E não foram poucas, desde a padronização de barracas até uma fiscalização mais eficaz pela vigilância sanitária nos boxes de venda de carnes e aves abatidas e outros alimentos in natura. No entanto, o comércio mostrou sua força através dos tempos e serviu até como lançamento de produtos, entre eles vários tipos de macarrão, como parafuso, goela-de-pato e talharim, disponíveis pela primeira vez em uma barraca que oferecia produtos de fabricação caseira. Os saborosos biscoitos amanteigados também tiveram a Feira de Domingo como porta para sua divulgação e popularização.

(Josué Cardoso para a Revista da Cultura Caxiense nº 4, Dezembro de 2002)

Zumbi ganha escultura de bronze em tamanho natural no Calçadão

► A prefeitura de Duque de Caxias inaugurou no calçadão da Rua José de Alvarenga, no Centro, um novo monumento a Zumbi dos Palmares, uma escultura em tamanho natural - a primeira do país – em bronze, em homenagem o líder negro. A escultura mede 1,91m de altura e substitui um busto instalado no mesmo local pela Prefeitura em 1987. A inauguração foi por ocasião das comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra, dentro da Semana das Tradições e Artes Negras contemporâneas, comemorada no município há 15 anos.

Após a inauguração, aconteceu show de passistas e a bateria da escola de samba Grande Rio, além da cantora e atriz Zezé Mota. Mais de mil pessoas participaram da solenidade. Autoridades como o prefeito José Camilo Zito e o Secretário de Cultura Gutemberg Cardoso usaram da palavra, além de representantes de entidades e lideranças de várias denominações religiosas.
O projeto foi realizado pelo grupo Afro Cultural Ojuobá Axé em parceria com as secretarias de Comunicação e Promoção, de Cultura e de Educação, esta última responsável todos os anos pela organização da "Semana das Tradições e Artes Negras Contemporâneas".


Da programação constaram: exposição de trabalhos de alunos da rede municipal de ensino e do Grupo Ojuobá Axé, sobre "A Trajetória de Zumbi"; Monólogo sobre Zumbi dos Palmares, com menores assistidos pelo grupo afro através do PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), desenvolvido pela Secretaria de Ação Social com apoio do governo federal; apresentação das bandas Afros Ojuobá Axé, Agbara Dudu, Aguatume, Filhos de Gandhi e Ifé Imalê. Da programação artística participaram ainda os grupos Hip Hop, Street Dance e danças de salão e afro, e de capoeira. Um ato ecumênico com a participação de representantes das igrejas católica e Batista, e da comunidade espírita, também foi parte da programação. Da Catedral de Santo Antônio, uma caminhada liderada pelo Frei Renato seguiu até o local da inauguração da estátua.

A comemoração da Semana de Zumbi teve início na noite de segunda-feira, no Plenário da Câmara Municipal, onde autoridades, artistas e representantes de entidades participaram de cerimônia com várias atividades. O secretário Gutemberg Cardoso, que representou o prefeito José Camilo Zito, aproveitou o momento para exaltar a figura de Zumbi dos Palmares, segundo ele, “um verdadeiro e legítimo representante da liberdade e da cidadania no Brasil”. Antes de concluir sua oração, o secretário falou sobre o novo monumento ao líder negro.

- O Poder Público, ao entregar à população de Duque de Caxias o monumento de Zumbi, está resgatando e, ao mesmo tempo, reconhecendo a luta do grande líder que ajudou a construir a história do Brasil, defendendo, com suor e sangue, bandeiras como a liberdade, o direito à cidadania e à justiça e a igualdade social e racial. Sua coragem o levou a defender esses e outros princípios até a morte, o que sem dúvida ficou como exemplo para gerações que passaram, para as atuais e às que virão”.


(Josué Cardoso para a Revista da Cultura Caxiense nº 4, Dezembro de 2002)

Segunda-feira, Janeiro 09, 2006

Instituto preserva a identidade de Duque de Caxias

► Inaugurado em 31 de janeiro de 1973, o Instituto Histórico Vereador Thomé Siqueira Barreto, mantido pela Câmara Municipal de Duque de Caxias, é responsável pela guarda de obras, como fotografias, documentos e objetos. As peças, resultado de doações de pessoas e instituições, compõem um referencial significativo para a história do Município e também da Baixada Fluminense.

Contando hoje com cerca de sete mil peças - o acervo chegou a possuir oito mil -, o órgão é fonte de estudos obrigatória para muitos pesquisadores. Segundo a historiadora Tania Amaro, que assumiu o cargo de diretora há poucos meses, a redução do acervo deve-se possivelmente a empréstimos que não retornaram ou até á falta de uma política de preservação adequada.

Tania Amaro, que foi responsável pela coordenação técnica do acervo entre dezembro de 2000 e março de 2002, trouxe para o Instituto três anos de experiência adquirida no Arquivo Nacional, além de cinco anos de trabalho com o Arquivo Histórico do Museu Nacional de Belas Artes. De acordo com levantamento feito por ela, por amostragem, constatou-se que estão no Instituto Histórico 4.900 reproduções fotográficas, 450 documentos textuais, 400 livros, revistas e boletins, 1.100 jornais e recortes, 80 quadros, além de objetos de uso pessoal e vestuário. Alguns desses objetos encontram se expostos ao público em vitrine.

A idéia de desenvolver um Projeto de Preservação, permitindo a realização de um trabalho sistemático e integrado de conservação e processamento técnico do acervo, surgiu no início do ano passado. A partir daí, o órgão passou a utilizar metodologias de Conservação Preventiva, como a limpeza mecânica de cada documento, seu acondicionamento adequado e o armazenamento em mobiliário tratado, além do diagnóstico técnico das obras, objetivando a catalogação precisa dos diversos itens constantes do acervo. Até o momento, já foram tratadas cerca de 2.500 fotografias.

Foram organizados grupos com assuntos como: políticos e personalidades; solenidades e eventos na Câmara Municipal; diversos assuntos sobre o Município: obras públicas, arquitetura, panorâmicas, clubes e associações e atividades culturais e artísticas, entre outros. O grupo de trabalho é coordenado pela própria Tania Amaro - também especialista em preservação de acervos -, e conta com mais seis pessoas. Para a diretora, o trabalho vem recebendo o apoio irrestrito da Presidência e dos demais membros da Câmara. Além de abrigar esse acervo tão importante para a cidade, o Instituto Histórico mantém ainda um espaço físico para a realização de exposições e eventos voltados para o público em geral, além de sala para exibições de áudio e vídeo.

ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS

Criada para colaborar com o aprimoramento e o desenvolvimento das atividades, a Associação dos Amigos do Instituto Histórico (Asamih) é hoje um importante aliado. “Pretendemos que ela seja o elo de ligação entre a população e o órgão de pesquisa, já que apesar de ser uma entidade sem fins lucrativos, a Associação tem entre suas finalidades adquirir acervo, sustentar programas de processamento técnico, conservação e restauração de obras e incentivar exposições”, explicou Tania.

A Asamih conta com um grupo de intelectuais, pesquisadores e personalidades da Baixada Fluminense. A entidade dispõe de um Estatuto, aprovado pelos sócios, e o número de participantes é ilimitado. Nele estão propostas para o estabelecimento de intercâmbio com outras associações e entidades afins, o apoio à reprodução de documentos do Instituto Histórico, o incentivo à integração cultural com a comunidade e um programa de captação de recursos financeiros para a instalação de projetos culturais.

(Josué Cardoso para a Revista da Cultura Caxiense nº 3, Outubro de 2002. Foto: Instituto Histórico)


Centro Cultural começará a ser erguido em agosto

► A Prefeitura anunciou o início da construção do Centro Cultural Duque de Caxias em setembro. O projeto tem a assinatura do Oscar Niemeyer, um dos mais reconhecidos em todo o mundo. O Centro Cultural vai ser erguido na Praça do Pacificador, em uma área de quatro mil metros quadrados, e custará cerca de R$ 7 milhões, previstos em orçamento próprio. A previsão do término da obra é de 12 meses.

O Centro Cultural de Duque de Caxias vai ser a primeira obra individual do arquiteto na Baixada Fluminense e referência em todo o Estado. "A população vai ganhar esse presente, uma bela obra construída pelas mãos de um gênio", observou o prefeito José Camilo Zito, durante a última visita de Niemeyer ao município, em setembro. Além de teatro com capacidade para 440 pessoas, o Centro Cultural terá ar condicionado central, biblioteca pública e salas para oficinas de artes e atividades diversas nas áreas das artes plásticas, música, vídeo e cursos.

Para o secretário de Cultura, Gutemberg Cardoso, o inicio das obras pela Prefeitura é de grande importância para toda a Baixada Fluminense "A história vai perpetuar, mais cedo ou mais tarde, essa iniciativa pioneira que elevará a cultura da região a nível de primeiro mundo". O talento de Oscar Niemeyer também poderá ser visto na entrada do município, no bairro Parque Duque, na altura da Rodovia Washington Luiz, em um pórtico projeto pelo renomado arquiteto e doado à cidade. O projeto faz parte da reurbanização de toda a Avenida Brigadeiro Lima e Silva, com extensão total de 2,3 quilômetros.

DEPOIMENTOS

"O início das obras do Centro Cultural de Duque de Caxias, projeto de Oscar Niemeyer, marcado para setembro, é, sem dúvida, o marco maior da administração do Governo de José Camilo Zito dos Santos Filho.
Há, na cidade, em todas as camadas sociais, uma grande expectativa em relação ao Centro Cultural. Dos artistas plásticos, passando pelas artes cênicas, nossos poetas, dançarinos e o cidadão, na sua amplitude humanizada, sonha não com a arquitetura que revolucionará obrigatoriamente o centro da cidade de Duque de Caxias, mas, fundamentalmente, pela valorização da produção cultural local, a oportunidade do intercâmbio cultural com o País e fora dele, enfim, com a efetiva produção cultural.
A Biblioteca Pública que fará parte do Centro Cultural terá papel fundamental na construção da cidadania não somente desta geração, mas também das futuras.
Estamos trabalhando para a criação do Complexo Cultural de Duque de Caxias, a ser instalado no terreno que se localiza na esquina da Avenida Presidente Kennedy com a Rua Dr. Manoel Teles. Ali, seria construído um prédio de quatro pavimentos, que abrigaria estandes para divulgação e venda de livros, discos e artes plásticas, cybercafé, e sedes da Academia Duquecaxiense de Letras e Artes, da Federação de Reisado e da Associação Carnavalesca, auditório e videoteca com 150 lugares e, no 4º andar, a Fundação Cultural de Duque de Caxias.
Em breve, estaremos realizando o Fórum Cultural de Duque de Caxias, quando, com os amantes e protagonistas da cultura desta cidade, estaremos delineando os rumos das mudanças imperativas, tais como apontar a necessidade de criação do Conselho Municipal de Cultura (de caráter deliberativo), do fundo Municipal de Cultura e a criação da Fundação cultural de Duque de Caxias, para dar funcionalidade à política cultural que está sendo traçada, com a participação dos vários segmentos interessados.
Como Secretário de Cultura de “minha” cidade, mesmo diante de enormes desafios, acredito estar contribuindo, com a equipe que comigo trabalha, para a construção da cidadania do nosso povo e, em particular, dos jovens.
(GUTEMBERG CARDOSO, Secretário Municipal de Cultura)

► Os sonhos estão se tornado realidade e, decididamente, a construção do Centro Cultural de Duque de Caxias será um marco importante para todos os artistas, em especial os da Baixada Fluminense, e para todos os que acreditam que a transformação do indivíduo passa essencialmente pelo resgate da cultura, que é tudo o que o homem acrescenta a natureza.
José Camilo Zito dos Santos Filho, impõe definitivamente a sua marca como o prefeito das transformações. Nesse Centro Cultural saberemos unir a região, a tradição e a modernidade, elementos estes que irão produzir a riqueza deste povo, sempre muito dinâmico e inovador, pois Duque de Caxias é uno e é plural também na sua cultura. Esta iniciativa é muito bem recebida pelos que se preocupam com a educação, com a cultura, o lazer e a juventude. Público e artistas serão beneficiados, pois, além de ser um espaço de difusão e de absorção da produção artística local, trará também uma política cultural diferenciada do que normalmente se costuma produzir. O Centro Cultural vai ter ligação direta com as ações desenvolvidas, contribuindo cada vez mais com a formação de platéias. E certamente teremos belos eventos.
O esforço do prefeito Zito representa a preocupação em recuperar e preservar o patrimônio artístico e histórico da cidade e suas tradições. Isto, com certeza, vai produzir riqueza de forma dinâmica e expressiva. Como atriz que sou na essência e jornalista comprometida com o transformar da vida humana, creio que Oscar Niemayer, original e revolucionário, é a referência do século 20. Ele é capaz de dar formas originais a materiais simples, utilizando uma linguagem que foge ao tradicionalismo. O talento desse mestre chega a Duque de Caxias e que seja sempre bem vindo.
Este é um momento raro e único para o nosso povo que tem no teatro, na dança, na música, nas artes plásticas, no profundo prazer da leitura, enfim nas mais variadas manifestações artísticas – sejam elas eruditas ou populares -, o compromisso de passar para todas as gerações a cultura (que vai muito além do limitado conhecimento das artes), o seu sentido mais amplo, que é a resposta que o homem dá à natureza. E esta resposta é essencialmente o fato de que todo ser humano traz na vida o sentido da criação, considerado ato cultural.
Nossas idéias, nossos valores, nosso atos, até mesmo nossas emoções são, como nosso próprio sistema nervoso, produtos culturais. Sempre por respeito à vida, que é o maior fato artístico que o homem pode desenvolver.
(SILVIA MENDONÇA, subsecretária Municipal de Cultura)

► Os artistas do município e os amantes da arte terão suas reivindicações atendidas com a construção do Centro Cultural de Duque de Caxias. O sonho acalentado há anos irá se concretizar em 2004, na Praça do Pacificador, tendo a assinatura do maior arquiteto brasileiro de todos os tempos: Oscar Niemeyer.
A maquete já deixa claro o toque genial do artista, que vista de cima parece um coração. Feito em dois pavimentos, o Centro Cultural será erguido em pilotis - conjunto de colunas que sustentam uma edificação, deixando área livre para circulação no pavimento térreo -, e terá um teatro para 440 pessoas, biblioteca pública com milhares de títulos à disposição da população, anfiteatro e salas de atividades culturais e de artes plásticas.
Será a primeira obra de Niemeyer na Baixada Fluminense, transformando o Centro Cultural numa referência para toda a região e todo o Estado do Rio de Janeiro. Os quadro mil metros quadrados de área ganharão vida, emoção e vibração. As palmas aclamarão os artistas, que de Duque de Caxias conquistarão o mundo. A vista se transformará em um cartão postal oficial da cidade.
Não há como mensurar a importância desse investimento para os duquecaxienses. Na administração do prefeito Zito, resgatamos o orgulho de morar em nossa cidade e, agora, vamos ter acesso à cultura, à inovação e à criação, com o novo espaço. Com o Centro Cultural, a população não precisará mais se deslocar para o Rio de Janeiro para acompanhar uma grande montagem. Peças de destaque, no cenário nacional, poderão ser exibidas aqui, oferecendo condições de trabalho aos artistas e conforto ao público.
Somente um homem como o prefeito Zito poderia fazer um investimento desta natureza. Serão R$ 7 milhões de coragem, de ousadia e de arrojo, marcando, de forma definitiva, a brilhante trajetória política do prefeito à frente do Executivo Municipal. Com a inauguração do Centro Cultural, uma nova página será escrita em nossa história: uma página chamada cultura.
A Praça do Pacificador, que exibe o patrono do município, Duque de Caxias, ganhará o traço genial de Oscar Niemeyer. Autor de mais de 400 projetos, como o conjunto arquitetônico da Pampulha, Minas Gerais, a sede da ONU, Nova Iorque, o Memorial da América Latina, São Paulo, o Palácio da Alvorada e o Congresso Nacional, ambos em Brasília, além de 180 edifícios espalhados pelo mundo. Niemeyer assina suas obras em 20 países da América, Europa, África e Oriente Médio e pela primeira vez deixará o seu nome perpetuado na Baixada com a construção do Centro Cultural, um marco na arquitetura municipal e brasileira.
(LAURY VILLAR, Presidente da Câmara Municipal e Secretário de Esporte e Lazer entre 1989 e 1999)

► O prefeito José Camilo Zito, ao assumir a Prefeitura de Duque de Caxias, sabia o que iria encontrar pela frente. “A carência era total”, pensou com ele mesmo. “Para se arrumar uma casa, primeiro começamos pela limpeza”. Assim, reuniu seus assessores e ficou decidido: “Vamos começar pela limpeza, que é a base de tudo”. No dia seguinte, todos, de vassoura na mão, começaram a remover o lixo que tomava conta da cidade. Os bairros não eram diferentes do Centro - era lixo por todos os lados. As “valas negras”, como aquela no bairro Itatiaia, hoje manilhada, são coisas do passado. As enchentes naquele local também.
A turma da limpeza teve muito o que fazer mas o trabalho não parou por aí. No centro haviam algumas ruas que contavam como calçadas e que, na verdade, seus moradores desconheciam este benefício. Então, o prefeito saneou essas ruas e partiu em direção dos demais bairros. Hoje não existem bairros – nem os mais distantes – que não estejam atendidos, mesmo os morros, os quais eram de difícil acesso. Os ônibus sobem e descem sem problemas. Detalhe: as ruas, além de calçadas, são sinalizadas e iluminadas. Grande foi o investimento nas áreas social, da educação, saúde e dos esportes.
Atendendo uma velha reivindicação de nossos artistas e intelectuais, o Prefeito José Camilo Zito convida o notável arquiteto Oscar Niemeyer para fazer um ambicioso projeto, a construção de um Centro Cultural na Praça do Pacificador. O prefeito, definitivamente, ficará na história da Baixada Fluminense. Sua iniciativa prova o amadurecimento cultural de nosso povo. Como podem nossos intelectuais e artistas exercerem suas atividades sem acomodações adequadas?
Agora sim, teremos do que nos orgulharmos! É da área cultural que sai a grande obra que coloca Duque de Caxias em nível de primeiro mundo. Até a bem pouco tempo, alguns caxienses tinham vergonha de dizer que moravam aqui. Muitos inclusive mudaram-se para a zona sul do Rio ou “subiram a serra” e, agora, estão de volta, empurrados pela criminalidade que a imprensa noticia todos os dias. Podemos cantar alto e em bom som: “Quem fez, fez, quem teve oportunidade e não fez, perdeu a vez. Zito prometeu e fez”.
Isto é amadurecimento cultural. Em breve, longe daquela argila nos sapatos, estaremos pisando em tapete vermelho, na inauguração desse majestoso prédio público, que disporá de galeria de arte, teatro, biblioteca e outras manifestações culturais.
Tenha certeza, Senhor Prefeito, que Vossa Excelência perpetuará no coração do povo. Aceite um abraço fraternal de nossos intelectuais e artistas em geral. E até os adversários certamente tirarão o chapéu e dirão: Obrigado Senhor Excelentíssimo Prefeito José Camilo Zito.
(MESSIAS NEIVA é artista plástico e já representou Duque de Caxias em exposições fora do Brasil)

► O nosso povo tem sede de Cultura. Você já deve ter ouvido outros intelectuais em várias ocasiões falarem a mesma coisa. Eu não sou o primeiro, mas, infelizmente, a maioria de nossos governantes e políticos a desprezam e não prestigiam os movimentos culturais. Mesmo assim, a cultura sobrevive graças a luta de meia dúzia de homens e mulheres ligados a ela: são escritores, poetas, compositores, músicos, jornalistas, artesãos, escultores e artistas plásticos, que vêem na cultura o lenitivo para sua própria existência.
Mas a verdade, nua e crua, é que a maioria dos nossos governantes despreza a cultura e não dão meios ao povo para o acesso a ela. Isso ocorre porque “eles” não sabem o quanto a cultura é muito importante para as gerações presente e futura. Ela é tão necessária na vida como o ar que respiramos. “Um povo sem cultura é um povo sem memória, sem passado e sem futuro e fácil de se alienado e dominado”.
Quando afirmo que os governantes menosprezam a cultura, basta olharmos a dotação orçamentária para a Secretaria ou Coordenadoria de Cultura de qualquer município: não chega sequer a 2% do orçamento municipal - a bem da verdade, a maioria não chega a 1%. As secretarias vivem de pires na mão, dependendo, em todas as suas iniciativas, das empresas privads. Mesmo em Duque de Caxias, que é o segundo maior orçamento do Estado do Rio de Janeiro, a dotação não chega a 2%, muito embora, nos últimos anos, as coisas mudaram um pouco.
O Prefeito José Camilo Zito dos Santos vem se mostrando mais sensível e compreensivo aos movimentos culturais. Falo isso porque venho acompanhando toda a trajetória do projeto de construção do Centro Cultural, projetado pelo gênio do maior arquiteto do Brasil e do mundo, Oscar Niemeyer, centro que sugiro doravante seja chamado de Palácio da Cultura Caxiense. A construção desse majestoso Palácio da Cultura é a materialização do sonho de centenas de homens e mulheres ligados à cultura do nosso município, desde o mais ilustre dos intelectuais ao mais humildade escritor ou poeta, morador da favela ou do curtiço.
Está bem claro que a materialização deste sonho dos homens de cultura do nosso município, sem o apoio e a iniciativa de alguns homens da equipe do Governo zito, como os Secretários Gutemberg Cardoso (Cultura), Raslan Abbas (Planejamento), Mário Vasconcelos (Governo), Antônio Augusto Colvara (Fazenda) e o “referendo” incondicional do Prefeito, não seria possível.
Como um dos cobradores e incentivadores desse magnífico projeto, posso afirmar bem alto e em bom som: a cultura em Duque de Caxias está de parabéns, pro ter dado um passo gigantesco na conquista do seu espaço no mundo cultural. Doravante, seremos vistos pelo resto do Brasil e até mesmo pelos povos de outros Países com outra ótica, pois, além do aspecto cultural, do ponto de vista urbanístico, o Palácio da Cultura será o cartão de visita de nossa cidade. Passaremos a ser conhecidos internacionalmente como um município que esparge cultura em todas as direções.
(CARLOS DE SÁ BEZERRA, jornalista, é Presidente da Academia Duquecaxiense de Letras e Artes (ADLA) e fundador da Associação de Imprensa da Baixadas (AIB)

► Antes de mais nada, só entende esse processo quem conseguiu misturar os becos do alvorada, a passarela do pé sujo e a iluminação parisiense do bar Garota Fluminense, agora a Casa de Cultura, propriamente dita - criada há muito tempo. Não nessa ordem, mas quase.
A “rainha” dentro do Teatro Armando Mello, às 10 horas da manhã de uma sexta-feira no final dos anos 70. “Lata d´água na cabeça” e, de quebra, nos apresentou Arrabal, Zé Vicente, Ionesco, Brecht, Godard, Bruñel, Glauber e Zé Celso. Obrigado, “rainha”, eu bebi dessa água.
Rogério Torres, Armando Valente, Chico Fernandes, Idivarci, Eldemar de Souza, todos fomos à Vila São Luiz falar com o Joaquim, afinal, o Amuleto de Ogum também é nossa Casa de Cultura.
Barboza Leite taí prá dizer o tipo de piso que criamos para o “Chão dos Caminhos” e Menezes pintava em letras a música tradicional boliviana. E naquele domingo de 1982, descobri, graças ao Embaixador de Uruóca, no sol de 40 graus na Praça do Relógio, que os “Papangoos” ainda iriam nascer com um discurso murcho. Blá... blá... blá... Primeiro meu jabá.
Tá tudo aí, formiplac na janela, brutalidade no jardim, o dragão da maldade, o cão siamês de Alzira. ‘Papa highirte’ esteve em Duque de Caxias e eu tenho que confessar com a minha boca, entre todos nós: a “rainha” não deixou que eu me afastasse de Almodóvar, nem dos tiros em Columbine. Afinal, continuo menestrel, embora de fina estampa, por isso te convoco:
- Meu irmão, minha irmã, companheiros e camaradas: É com o coração partido e os olhos em lágrimas - de novo, confesso com minha boca : “Eu não nasci aos quinze anos em Gotham City”.
(LUIZ SEBASTIÃO, professor, exerceu mandato de vereador de 1988 a 1992 e foi titular da Secretaria de Cultura de 1990 a 1992 e de 1998 a 2001)

► Os soldados gregos no ano 399 a.C ao voltarem em retirada de uma guerra na Ásia Menor e ao avistarem o mar Negro, deram um grito de desafogo expressando "Thálatta! Thálatta!". O ato de júbilo dos soldados gregos expressava o profundo sentimento de amor à terra natal, após anos de guerras em terras distantes. O retorno a sua casa provocou-lhes a viva expressão do contentamento.
O povo de Duque de Caxias tem vivido um conjunto de lutas importantes em prol de sua cultura, diríamos uma verdadeira guerra para construir em seus espaços equipamentos culturais que facilitasse a implantação de uma política cultural sólida e duradoura. Outrora foi muito importante a implantação na década de sessenta do Teatro Armando Mello, no shopping da rodoviária, e posteriormente o Procópio Ferreira, na Câmara Municipal, na década seguinte. Estes espaços culturais permitiram uma produção de teatro de qualidade com lançamento de novos valores nas artes cênicas. Acreditávamos que este avanço pudesse em um curto espaço de tempo atingir os outros setores culturais como as Artes Plásticas, a Música, o Artesanato, a Literatura, a Memória, as Artes Visuais, a Pesquisa, o Folclore etc.
Faltava assim, congregar um conjunto de ações de política cultural em projetos que resgatassem e devolvessem a população a sua identidade, tantas vezes cantadas e enaltecidas nas mãos laboriosas e pensamentos afinados de um Barboza Leite, Solano Trindade, Orlando Mendonça, Rodolfo Arlt, Dalva Lazaroni, Messias Neiva, Ediélio Mendonça e muitos outros. São personagens que se tornaram lendários na história da cidade, produzindo uma arte que divulgou e vem divulgando nos diversos meios culturais os sentimentos desse povo, culturalmente único.
Sabemos das grandes dificuldades de implantar investimentos a área cultural, no entanto, não podemos perder de vista que o avanço na qualidade de vida de um povo passa necessariamente na criação de condições que facilite a produção e exteriorização de seus sentimentos. A arte é sentimento e amor à vida, materializada nos afazeres, só o homem é capaz.
A iniciativa do atual Governo Municipal em construir um grande Centro Cultural, engalana Duque de Caxias, coloca-a no panteão da glória e ao lado das cosmopolitas cidades que valorizam a cultura, sua eternização toma corpo nas mãos do mestre da arquitetura Oscar Niemayer. Duque de Caxias, com esta obra, resgata sua dívida cultural para com seu povo e, num canto de glória, abre o peito e grita em júbilos pela conquista alcançada: "Thálatta! Thálatta!".
(GÊNESIS TORRES, professor, presidente do Instituto de Pesquisas e Análises Históricas e de Ciências Sociais da Baixada Fluminense (IPAHB) e Subsecretário de Cultura de São João de Meriti)

► Era o dia 29 do mês de janeiro de 1998. Uma delegação da Prefeitura de Duque de Caxias, liderada pelo prefeito José Camilo Zito, encontra-se com o arquiteto Oscar Niemeyer em seu escritório de trabalho, em Copacabana, no Rio de Janeiro, com o propósito de convidá-lo a elaborar o projeto para a construção de um Centro de Cultura em Duque de Caxias. Já nesse primeiro encontro, o renomado arquiteto mostrou disposição de aceitar o convite, oportunidade em que considerou seu apreço pelo povo da Baixada Fluminense, tão carente de oportunidades na área cultural. Na delegação, além de Zito, estavam ainda, entre outros, o então secretário de Trabalho, Habitação e Comunidades, Aroldo Brito, o Subsecretário de Cultura, Gutemberg Cardoso, e o líder comunitário José Joel. O autor deste texto era titular da Secretaria de Cultura e também integrava a comitiva.
Na verdade, naquele momento, Zito e Oscar Niemeyer estavam começando a viabilizar um velho sonho dos artistas e da própria sociedade caxiense: a construção de um Centro de Cultura. A Praça do Pacificador foi uma das áreas sugeridas pelo prefeito para a edificação de tão importante projeto. Esse sonho foi acalentado, desde os anos 70, por pessoas ligadas à cultura, entre as quais lembramos os nomes de Barboza Leite, Laís Costa Velho, Rogério Torres, Armando Valente, Rodolfo Arldt, Newton Menezes, Dalva Lazaroni, Wilson Reis, Carlos Ramos, Ricardo Augusto Vianna, Luiz Sebastião, Eldemar de Souza, Josué Cardoso, Ediélio Mendonça e Nélio Menezes, entre tantos outros.
Lembro-me que, naquela ocasião, o Grupo Arco, integrado por Barboza Leite, Armando Valente e Rogério Torres, propôs ao Município a criação de uma Casa de Cultura no prédio onde funcionara o Hotel Astória, na Rua Joaquim Lopes de Macedo nº 15-A, que seria desapropriado para esse fim. O governo municipal na época, no entanto, priorizou a construção de um Centro Esportivo nos fundos do Estádio Municipal – o popular Maracanãzinho, não destinando recursos orçamentários à edificação de uma Casa de Cultura. A cidade ganhou uma grande praça esportiva e de lazer, transformada nos anos 90 em Vila Olímpica, mas viu adiado o importante projeto cultural.
No início dos anos 80, o Grupo Arco, com apoio de artistas e intelectuais da cidade, apresentou novamente ao Poder Executivo um projeto de uma Casa de Cultura, idealizado por Barboza Leite e que ocuparia pequena parte da Praça do Pacificador. Este, após idas e vindas, também não saiu do papel.
Os anos 90 trouxeram novas esperanças à área cultural, a começar pela criação da Secretaria de Cultura, em 1991, a primeira da Baixada Fluminense. A notícia de que o projeto de Oscar Niemeyer agora vai ser materializado, é sem dúvida uma das melhores para a população de Duque de Caxias neste novo século. A cidade carece de obra tão expressiva e está pronta para vivenciá-la.
(STÉLIO LACERDA, professor, ex-diretor do Departamento de Educação e Cultura nos anos 70 e secretário de Cultura de 1992 a 1998)

► O início da ocupação portuguesa no atual território do Município de Duque de Caxias se deu em 1565, data esta da fundação da cidade do Rio de Janeiro. Durante este período o nosso atual território abrigou as Freguesias do Pilar, Santo Antônio de Jacutinga, São João Batista do Trairaponga e Inhomirim. A sociabilidade e a cultura eram articuladas pelo universo religioso e pelas práticas das irmandades. Eram elas que organizavam o cerimonial do sepultamento, as quermesses, as festas, as procissões, as cantorias, as rezas. As obras de arte ficavam expostas nas igrejas barrocas, tanto as imagens produzidas pelos santeiros, quanto os altares que mais pareciam um teatro carregado de movimentos. Além da fé católica, os cantos e batuques negros, o candomblé com seus deuses africanos, a capoeira, a ciência médica dos povos indígenas, os xamãs, as rezadeiras, os amuletos, as simpatias...
No século XIX, as Freguesias de Jacutinga e de são João Batista do Meriti passaram a fazer parte da Vila de Iguaçu e as Freguesias do Pilar e de Inhomirim, da Vila de Estrela. Dos municípios marcados pela circulação de mercadorias e pessoas, pela função de integrar a Corte ao Vale Paraíba, ou seja, o centro político com o centro econômico. Somou-se nesse universo, os saraus com o piano, as músicas clássicas, os poemas e romances. Enquanto os batuques aqueciam os terreiros, os proprietários tentavam imitar o modo de vida francês.
Em,fins do século XIX, a Vila de Estrela foi extinta e o nosso atual território entregue ao Município de Iguaçu. A partir da década de 40, o Município mãe começa a sofrer um processo de fragmentação de parte de seu território. Em 1943, Caxias consegue a sua emancipação e em 1947, foi a vez de São João de Meriti e de Nilópolis. Apesar de emancipada, os investimentos em cultura em Duque de Caxias sempre foram incipientes levando diversos grupos a inventarem caminhos da promoção cultural sem o financiamento do poder público. Após 60 anos da emancipação, temos muito pouco que comemorar.
Apesar das iniciativas de grupos e artistas, os orçamentos destinados à cultura são parcos e não foram suficientes para garantir a construção de um espaço permanente de promoção cultural. Apesar da nossa cidade ter quase 800 mil habitantes e ser o segundo do estado em arrecadação de ICMS, ainda é vitimada pelas políticas de segregação cultural até então desenvolvidas pelo poder central e estadual. Enquanto a cidade do Rio de Janeiro concentra um conjunto cultural expressivo, a periferia não recebe investimento algum. Essa segregação cultural imposta à Baixada Fluminense ficou transparente após a década de 70 com a fusão do antigo estado da Guanabara com o estado do Rio de Janeiro. Após a criação da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, vários estudos foram realizados para se pensar o planejamento regional. A análise dos dados revelou as profundas desigualdades intra-regionais no que se refere à renda, a infra-estrutura urbana, aos investimentos em cultura, etc.
A população caxiense tem o direito ao som, ao teatro, ao livro, ao cinema, a dança, a criação. A anunciada implantação de um Centro Cultural, certmaente vai permitir avançarmos de forma significativa, valorizar a cutura nativa, promover o intercâmbio a nível regional, nacional e internacional. Através dele, poderemos captar recursos para garantir à população o acesso à cultura, direito universal do homem. Nos merecemos beber e comer arte. Nós merecemos as palavras, as imagens, o gesto e o olhar sensível do artista. Nós merecemos o direito à produção cultural, ao ensaio, a autoria.
(MARLÚCIA SANTOS DE SOUZA, historiadora, é Chefe do Departamento de HIsória da Faculdade de filosofia, Ciências e Letras)


► É de extasiar-se ver a Caxias e hoje e aquela transformando-se paulatinamente na – por que não considerar – megalópole, dinâmica, refinando-se, elitizando-se, conservando, entretanto, a simplicidade, a alegria e o brio da Caxias de ontem.
Transferimo-nos para esta cidade no começo de 70, movidos e imbuídos da responsabilidade de partilhar esforços e inspirados no ideal de um homem experiente nas lides educativas, o inesquecível Professor Herdy.
Ficamos propósitos, estabelecemos metas, selamos compromissos, pusemos mãos à obra. E eis-nos hoje, paripasso com o desenvolvimento desta cidade e Município, transformados em universidade que se agiganta espraiando suas espirais por todo o Grande rio. Escrevendo alto e em bom som os valores morais, culturais e intelectuais desta terra de Duque de Caxias.
Conhecemos a Duque de Caxias da pequena estação ferroviária, de bitola estreita, plantada em tosca plataforma, aparato de madeira, desprotegida em tempo de chuva ou de sol escaldante, com acesso livre para o que, sem dinheiro, precisasse deslocar-se até a cidade. Dos vagões ainda de madeira, de janelas quebradas, desconfortáveis, composições puxadas por trens sem horário. Mas transportando um povo de olhar voltado para este futuro em que hoje Duque de Caxias se transformou.
Conhecemo-la de ruas – não muitas – calçadas a paralelepípedos mal-aconchegados formando crateras, caminhos tristes dos carros de então. Hoje, asfaltadas no alinhavar da vontade dos residentes de ver nos mais distantes recôncavos do Município o povo desfrutando da qualidade de vida por décadas sonhadas. E graças um visionário na administração de Duque de Caixas – sem ir nisto qualquer conotação política – que numa identificação de momento exigida pelos anseios de um povo psicológica ou socialmente falando foi impondo a presença de soluções para os agravos de uma região em que se confundem residências e unidades industrias, o nordestino e o imigrante do Algarve, o pobre e o rico, o técnico de alto nível e o lixeiro. De estudantes que se multiplicavam e um complexo escolar que à medida que se impunha permeando educação, criando cursos cada vez sofisticados,mudando hábitos, suavizando, moldando caracteres, ia ficando grande diante mesmo do país inteiro – a universidade Unigranrio.
A cultura de um povo assenta-se num tripé, dentre outras concepções – sua tradição: hábitos e costumes, conforme padrões comportamentais; sua produção artística; sua produção intelectual.
Sobre tripés, há de estar concebendo Niemeyer, na sua sensibilidade arquitetônica – igual a quem antes não houve nem depois o haverá – aquilo que será o stand em que estarão representadas todas as expressões artístico-culturais desse cadinho que é Duque de Caias da mistura de raças, retrato irretocável da nossa nacionalidade. Acredito será um templo às diversidades artísticas do povo, desde as mais pueris às mais apuradas tanto na dança,na música, nas artes plásticas e noutra surpreendentes, às vezes, expressões da sensibilidade humana livres de preconceito já que da essência da manifestação cultural. Faça-se presente, pois, o Centro Cultural de Duque de Caxias.
(ARODY CORDEIRO HERDY é Reitor da Unigranrio)

► Alguns costumam falar que o povo não tem cultura. Isso não é verdade, o povo geralmente tem, isso sim, a oportunidade de conhecer a sua própria história. É com esta concepção que devemos encarar a questão cultural, hoje, repleta de valores, detalhes e diversidade que somente o Brasil possui em dimensão gigantesca. Claro que não podemos deixar de levar em consideração que a crise social, econômica e ambiental, afeta a qualidade de qualquer tipo de serviço ou projeto por mais bem intencionado que seja. Essa fome incessante de mudanças exige que sejam organizados grupos de ações específicas, dispostos a modificar formas e conceitos em relação aos valores culturais.
No Brasil, o diferente é excluído, como que as diferenças não fossem riquezas de uma civilização. Evidente que se não houver a compreensão dessas diferenças, atualizadas em seu tempo, estaremos perdidos sem um referencial a deixar para os que virão, num mundo cada vez mais globalizado, que apenas privilegia uma minoria que detém o poder de manipulação sobre valores culturais, ao mesmo tempo determinando o que deve ou não deve entrar na mídia pára chegar até ao conhecimento da grande maioria.
Esta mudança de conceito passa pelas salas de aula. Cultura e educação, na prática, devem andar de mãos dadas, pois uma sem a outra é como fabricar pão sem fermento ou plantar batata em terra seca. Podemos até plantar, por teimosia e por força da nossa fé, mas é pura utopia e nada mais, constituindo-se na maior ilusão social. Cultura e educação devem estar nas discussões da mesma mesa, sim, de qualquer segmento, governamental e não governamental, principalmente nos dias de hoje, quando a nova ordem mundial é promover o desenvolvimento humano e social de forma sustentável, conforme ficou estabelecido desde 1968, em Paris, por ocasião da Biosphere Conference, uma proposta socialmente justa e economicamente viável, novamente evidenciada e cobrada ao pé da letra, durante a Eco-92.
Que a construção do centro Cultural de Duque de Caxias, cujas obras começarão em setembro, sirva de inspiração para oturas cidades do nosso Estado.
(J. ARIMATÉIA FERREIRA, poeta popular, radialista e promotor cultural)

► Com recursos próprios do município e parte de investimentos da iniciativa privada, Duque de Caxias vai ganhar muito em breve um Centro Cultural à altura das aspirações do seu povo. Com projeto de Oscar Niemeyer, o arquiteto brasileiro conhecido mundialmente pelo seu traço genial, a obra contribuirá, com certeza, para elevar a auto-estima do cidadão caxiense e proporcionar momentos preciosos de lazer e arte.
O local escolhido para abrigar o nossos Centro Cultural é estratégico. Será na Praça do Pacificador, no centro do município, tradicional ponto de encontro da família caxiense. Ocupará uma área de quatro mil metros quadrados e custará cerca de R$ 7 milhões, incluindo a reurbanização da praça. Mas o valor é o que menos importa. Não tem preço a oportunidade de proporcionar a uma população estimada em cerca de 900 mil pessoas, segundo o último senso do IBGE, a cidadania plena. As obras começam logo após as festividades do Patrono, em agosto.
Pelo projeto de Oscar Niemeyer, além de teatro com capacidade par mais de 400 pessoas, o Centro Cultural terá biblioteca pública, anfiteatro e salas par atividades culturais de artes plásticas, música, vídeo e cursos. Somos a segunda cidade em arrecadação de impostos no estado, ficando atrás apenas da cidade do Rio, e o oitavo município em arrecadação do país, mas sempre fomos dependentes da capital quando o assunto é cultura. Mas agora, este quadro certamente mudará para melhor. O nosso Centro Cultural, além de receber diversos artistas da música, artes plásticas e cênicas e artesãos, entre outros, certamente será formador e descobridor de novos talentos, que renovarão a cultura local e nacional.
Duque de Caxias sempre foi um celeiro cultural. Saíram do município para o mundo nomes como o do artista plástico Barboza Leite, o poeta Solano Trindade, os compositores Hélio Cabral e João de Deus, além do pesquisador Jair Lobo. Não podemos esquecer também da saudosa dupla Jararaca e Ratinho, considerados verdadeiros precursores da música sertaneja. E mais recentemente Duque de Caxias exportou a Cia Luar de Dança, que atravessou fronteiras e faz sucesso em toda a Europa
Por tudo isso, é um orgulho indescritível trazer este Centro Cultural para Duque de Caxias. Se Deus quiser, ele haverá de ser o grande farol para iluminar a cultura, sempre uma referência na Baixada Fluminense. Será um belo presente de aniversário dos 60 anos de emancipação do nosso município.
(JOSÉ CAMILO ZITO DOS SANTOS FILHO, Prefeito Municipal de Duque de Caxias)

UM POUCO DO ARQUITETO E O QUE PENSA

► Nascido no Rio de Janeiro, em 15 de dezembro de 1907, Oscar Niemeyer formou-se em 1934 pela Escola Nacional de Belas Artes. Seu primeiro trabalho - como membro da equipe liderada por Lúcio Costa e que tinha a consultoria de Le Corbusier - foi a sede do Ministério de Educação e Saúde, em 1936, obra que se caracterizou como um marco da arquitetura moderna mundial. Niemeyer projetou grande parte dos principais edifícios de Brasília, incluindo o Congresso; os Palácios da Alvorada, da Justiça, do Planalto e dos Arcos; a Catedral; o "Minhocão" da Universidade de Brasília; o Teatro Nacional; e o Memorial JK.

Ingressa no Partido Comunista Brasileiro em 1935 e, no ano seguinte, convidado a dar um curso na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, teve seu visto de entrada cancelado. Em 47, obtida a permissão de estada nos Estados Unidos, viaja a Nova Iorque para desenvolver o projeto da sede da ONU. Três anos depois, é publicado nos EUA o livro The Work of Oscar Niemeyer, de Stamo Papadaki. Em 1954, viaja pela primeira vez à Europa, quando participa do projeto para reconstrução de Berlim, e em 56, é encarregado de organizar o concurso para escolha do Plano-piloto de Brasília, participando também da comissão julgadora. Em 1964, viajando a trabalho para Israel, é surpreendido pela notícia do golpe militar no Brasil. Retorna ao país em novembro, quando é chamado pelo DOPS para depor.

"Durante a ditadura, meu escritório foi saqueado e o da revista Módulo, que dirigia, semi-destruído. Meus projetos pouco a pouco começaram a ser recusados”. Em 54, viaja à Paris para a exposição de sua obra no Museu do Louvre e, em 67, impedido de trabalhar no Brasil, pelos militares, decide se instalar em Paris. Em 1978, funda o Centro Brasil Democrático (CEBRADE), do qual é eleito presidente. Nos anos de 87 e 88, recebe o Prêmio Pritzker de Arquitetura, dos Estados Unidos.Em 1990, junto com Luiz Carlos Prestes, desliga-se do Partido Comunista Brasileiro. No ano passado, realizou-se a exposição “Oscar Niemeyer 90 anos”, na Galerie Nationale du Jeu de Paume em Paris, França.

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“Gosto do meu país; das suas grandezas e misérias; do Rio, das suas praias e montanhas; dos cariocas, tranqüilos e desinibidos, como se a vida fosse justa e eles a desfrutavam sem discriminação. Como gosto deste país imenso! Do Norte ao Sul. Dos mais abandonados a fugirem da seca, sem casa nem comida, marcados pelo desespero; dos meus irmãos favelados, a ocuparem os morros com suas revoltas. Como tento desculpá-los quando a vida os transforma e a justiça dos homens os cerca implacável."

"Na Arquitetura debrucei-me por toda a vida. Foi o meu hobby, uma das minhas alegrias, procurar a forma nova e criadora que o concreto armado sugere. Descobri-la, multiplicá-la, inseri-la na técnica mais avançada, criar o espetáculo arquitetural"

"Estou convencido que um arquiteto não deve se limitar à aprendizagem de seu métier. Ele deve ter uma cultura geral, ler os clássicos, os escritores contemporâneos, para melhor compreender seu ambiente cultural”

"Nunca me calei. Nunca escondi minha posição de comunista. Os mais compreensíveis que me convocam como arquiteto sabem da minha posição ideológica. Pensam que sou um equivocado e eu penso a mesma coisa deles. Não permito que ideologia nenhuma interfira em minhas amizades"

"Jamais fui hostil a movimentos de protesto, inclusive dos países socialistas. É necessário protestar contra a miséria, as injustiças, as desigualdades. Toda palavra dita com coragem no movimento só pode merecer minha estima"


(Josué Cardoso, para a Revista da Cultura Caxiense nº 6, Junho de 2003)

Oficina do Ser, estímulo ao talento e à arte de portadores de necessidades especiais

Marta Moreira de Oliveira, de 22 anos, aluna do Instituto de Educação Governador Roberto Silveira (Classe de Recurso). Atendida na Oficina do Ser, desenvolve suas habilidades na arte de contar e cantar histórias. As dificuldades de Marta são vencidas dia a dia. Ela adora dançar, cantar e sonha ser recreadora infantil. Ela prepara-se para sua primeira apresentação em público, o que deverá acontecer em outubro


►A Oficina do Ser, um espaço criado em Duque de Caxias para atender crianças e adultos com dificuldade de aprendizagem pedagógica, emocional, afetiva e de relacionamento, ganhou o apoio dos artistas locais, que atuam como co-participantes dessa difícil tarefa que é educar. Assim, dessa união, acabou nascendo a Galeria de Artes da Oficina do Ser, onde artistas plásticos de nossa cidade expõem suas obras. Atualmente, expõem lá Messias Neiva, Paullo Ramos, ambos de reconhecimento até fora do Brasil, Mary Trindade, Martha Rossi, Ozias Araújo, Kátia Rego, Zênia Fant, Arlete Raggi e Moisés Lira.

A diferença do trabalho da Galeria fica por conta do enfoque pedagógico que é dado quando da visita à exposição. O Espaço recebe grupos de apenas 10 alunos por vez, às segundas-feiras, cujas visitas são agendadas com antecedência. A tarde é de arte e emoção, onde a literatura, os contos, cantos, música, a poesia e a dança como terapia de movimento se fazem presentes. Esse encontro de conhecimento e interatividade conta sempre com a presença de um artista convidado para um bate papo informal. Muitas das crianças apreciam pela primeira vez uma obra de arte e podem interagir com o trabalho cantando, declamando, pintando, dançando. O encantamento é total e os resultados sempre muito proveitosos.

A Galeria de Arte da Oficina do Ser, que já proporcionou a dois artistas a venda de seus quadros (“Marinas”, de Irani Fonseca, e “Brincando no Arco da Lapa”, de Wanderley Caramba), está situada à rua General Câmara nº 18, sala 207, bairro 25 de Agosto. As visitas devem ser acompanhadas por um professor da unidade escolar. Ela é dirigida pelas pedagogas Solange Maria Amaral, Vera Ponciano e pela terapeuta holística Kátia Ponciano. O telefone para contato é 2673-2307.

● Jones Fernando Rodrigues, aluno da Escola Estadual Vinícius de Moraes, participa do projeto Vencendo Obstáculos, desenvolvido em parceria com a Coordendoria Regional Metropolitana V. Ao tomar contato com a Galeria de Artes, desenvolveu gosto pela pintura e hoje freqüenta aulas com o Ozias Araújo. Jones tem 100% de freqüência, mostra grande interessado pela atividade e em dezembro estará apresentando sua primeira exposição de óleo sobre tela.
“Se não fizermos nós, quem? Se não fizermos aqui, onde? Se não fizermos hoje, quando?”

(Josué Cardoso para a Revista da Cultura Caxiense nº 2, Julho de 2002. Foto: Oficina do Ser)

VII Concurso de Poesias homenageia os 100 anos de Carlos Drummond de Andrade

►Em concorrida cerimônia realizada no Teatro Procópio Ferreira, na Câmara Muniipoal, a Secretaria de Cultura de Duque de Caxias anuncia o resultado oficial dos vencedores do VII Concurso de Poesias, que este ano homenageou o poeta Carlos Drummond de Andrade. A solenidade contou com apresentação teatral e de dança. Do concurso participaram 239 poetas (dos quais 32 até 15 anos e 207 adultos), que inscreveram 419 trabalhos. Os prêmios em dinheiro somaram R$ 3 mil, além de troféus e menções honrosas. Os poemas vencedores foram também publicados no site www.baixadaobn.com.

O concurso teve duas categorias: infantil, até 15 anos e acima de 16. Os primeiros lugares da categoria adulto receberam R$ 700, enquanto os da categoria infantil foram brindados com R$ 300 cada primeiro lugar. Os temas deste ano foram "O ser mulher - criadora e criatura", "Ser humano, ser universal - convivendo com as diferenças" e "O meu sentimento - Explode a expressão do indivíduo". O evento homenageou o poeta Carlos Drummond de Andrade, no ano de seu centenário.


Da comissão julgadora participaram Angela Beatriz (doutora em literatura portuguesa da UFRJ) Fátima Miguez (escritora e especialista em literatura brasileira, também da UFRJ), Mauro José Nascimento (mestre em língua portuguesa, da Unigranrio) e Carlos Alberto Carvalho (escritor e mestre em literatura brasileira, da Feuduc). A coordenação geral do concurso ficou a cargo do professor Sidney Oliveira.

Durante a programação foram feitas dramatizações sobre textos dos poetas Patativa do Assaré e Carlos Drummond de Andrade, com atores dos cursos de teatro do Museu Histórico Duque de Caxias, além de atores convidados - Mariana, Flávia Lopes e Ângelo Mayerhofer. Outro destaque da festa foi a apresentação de balé moderno com o grupo de dança do professor e coreógrafo Marcos Garcia.

Duque de Caxias foi o município do estado que mais inscreveu trabalhos, com 227 textos. Da segunda a quarta posições ficaram Rio (33), São João de Meriti (18) e Belford Roxo (14). Participam ainda do concurso poetas do Rio Grande do Sul, São Paulo, Maranhão e Santa Catarina. Do estado do Rio concorrem ainda poetas de Nova Iguaçu, Mesquita, Magé, Queimados, Nilópolis, Paracambi e Silva Jardim.


OS TEXTOS PREMIADOS

“O Brasil em destruição", de Cecília da Silva Mesquita; "Veneno", de Leandro Rosetti de Almeida; "A fonte colorida", de Danielle Santos Ferreira de Carvalho; "Manifesto", de Celso Marques de Oliveira; "Mulher mulheril", de Priscila dos Santos Souza; e "Gravidez", de João Daniel da Silva, foram os trabalhos vencedores. Quatro prêmios ficaram no Município e dois foram para poetas de Irajá e Colégio, bairros do Rio de Janeiro.

Receberam menções honrosas os poemas "Só depende de nós", de Jacqueline Rodrigues dos Santos; "Uma mulher e um menino", de Izabel Cristina Lucas Barreto da Silva; " A quase extinta paz", de Pamela Maria do Rosário Mota; "Não devia ter dito nada", de Tadeu Lima de Souza; "Mulher, sinônimo de mãe", de Aline Cabo de Melo; e "Mulher fogosa", de Eneida da Silva Moura. Também foram entregues troféus e livros.

(Josué Cardoso para a Revista da Cultura Caxiense nº 3, Outubro de 2002)

Sexta-feira, Janeiro 06, 2006

Academia Duquecaxiense de Letras e Artes comemora mais um aniversário

►O ano era 1967, quando um grupo de intelectuais e artistas, tendo ä frente o então presidente do Lions Clube, o cirurgião-dentista Eli Guimarães, se reuniu e decidiu criar uma entidade que congregasse pessoas nas áreas das letras, das artes e da ciência, e servisse também de veículo fomentador, de apoio e divulgador das artes locais. Nascia, assim, no dia 25 de agosto, a Arcádia Duquecaxiense de Letras e Artes. Em 31 de maio do ano seguinte, a entidade transformou-se em Academia, assumindo como presidente o jornalista e escritor Laís Costa Velho.

- Era preciso mostrar ao restante do Estado que a Baixada Fluminense não era apenas a “região violenta” que a grande imprensa do Rio de Janeiro procurava mostrar na época. Por isso, foram estimuladas cada vez mais as noites de arte e cultura e o lançamento do jornal literário Arcádia de Letras e Artes - depôs a escritora e professora Vera Ponciano, que ocupa a Cadeira Cecília Meireles. Segundo dados levantados por ela, no “grupo precursor” da futura Academia, em novembro de 1967, estavam Alberto Machado, Amarílio Aguiar, José Soares, Edgar de Sousa, Eudóxio de Azeredo, Erasmo Soares, Euricles de Aragão, Herbert Moses, Homero Batista, Joaquim Tenório, Laís da Costa Velho e Salvador Rocha.

A cidade dava, assim, passos importantes na área cultural, em plena vigência da ditadura militar. Depoimentos de membros, bem como de observadores, informam que a convivência entre seus membros sempre foi amistosa e cordial, apesar de reunir tendências conservadoras, moderadas e progressistas. “A Academia sobreviveu a tudo sem sair dos princípios com que foi criada”, disse em entrevista o Acadêmico e ex-presidente José Soares de Souza, por ocasião das comemorações do 30º aniversário da ADLA.

A sede da Academia foi instalada inicialmente na Redação do jornal O Municipal, de propriedade do acadêmico Euricles de Aragão, já falecido, e que circula até os dias de hoje. A partir de então, inúmeros eventos culturais passam a acontecer na cidade sob a chancela da Academia, projetando “o outro lado da cidade” além de suas fronteiras. Eram exposições de artes plásticas e encontros literários, conferências, festivais e peças teatrais, além da edição de um boletim semanal e lançamentos de livros de autores locais, entre outras iniciativas.
Os resultados não demoraram a chegar e a entidade recebe o troféu Euclides da Cunha, do poeta Gastão Neves, e um título de Utilidade Pública do Governo do Estado. Em junho de 1968, a Academia recebeu a visita ilustre de Austregésilo de Athayde, que sugeriu a criação do cargo de Presidente de Honra. A ADLA adotou a idéia e convidou Agripino Grieco para ocupá-lo.
IMORTAIS - A ADLA, presidida pelo advogado Francisco Quixaba Sobrinho, que ocupa o cargo pela quinta vez consecutiva, comemorou mais um aniversário de fundação no dia 28 de maio último, com uma solenidade e coquetel no Plenário da Câmara Municipal, onde foram homenageadas algumas personalidades, entre elas o secretário municipal de Cultura, Gutemberg Cardoso.

A primeira mulher a ingressar na Academia foi a professora e escritora Dalva Lazaroni, em 1985. Das suas 40 Cadeiras, apenas 30 estão ocupadas, cujos membros são os seguintes: Ademar Duarte Constant, Alfredo da Costa Paschoal, Álvaro Lopes, Carlos Alberto de Mendonça, Carlos de Sá Bezerra, Dahas Chade Zarur, Dalkir Teixeira Santos, Dalva Lazaroni de Moraes, Elton Francisco da Cruz, Emília Lazaroni de Rezende, Eudóxio de Azeredo, Francisco Buscácio, Francisco Quixaba Sobrinho, Geraldina Silva Guerra, Irani Fonseca Correia, Íris Poubel de Menezes Ferrari, Ivone Boechat de Oliveira, José Amarílio de Aguiar, José Soares de Souza, Laís Costa Velho, Liborni Siqueira, Manoel Tomás, Maria da Penha Santiago Bessa, Martha Ignêz de Freitas Rossi, Messias Neiva, Paulo César Ramos, Ricardo Augusto de Azeredo Vianna, Sidney César Silva Guerra, Vera Lúcia Ponciano da Silva e Vilma Teixeira de Oliveira.

(Josué Cardoso para a Revista da Cultura Caxiense nº 2, Julho de 2002)

Terça-feira, Dezembro 27, 2005

Banda Lira de Ouro sonha virar Orquestra Sinfônica

A Lira de Ouro, durante a comemoração do 1º aniversário, no dia 12 de março de 1958, em frente à Igreja de Santo Antônio

► Referência na Baixada Fluminense, a Banda Lira de Ouro vai completar 46 anos de fundação no dia 12 de março de 2003. Com nova diretoria, tem vários projetos prontos para iniciar um novo ciclo em sua história. Os momentos difíceis pelos quais passou foram muitos, o que, no entanto, parecem ter servido como novo estímulo para “seguir a caminhada”, de acordo com o seu músico mais antigo, o trombonista Acácio de Araújo, que completou 92 anos dia 10 de novembro.

“Bons tempos eram aqueles das apresentações nas praças, da participação em eventos cívicos, militares e festas religiosas. “Nossas apresentações sempre agradavam a todas as gerações, desde as crianças aos mais idosos”. Fazendo questão de frisar que não abandona seu instrumento, o músico não precisa puxar muito a memória para lembrar nomes de comerciantes e personalidades que sempre se dispuseram a colaborar com a entidade, como Alaíde Cunha, Carlos dos Santos Vieira e a família Mendonça, entre inúmeros outros. “A Lira de Oura era admirada e respeitada onde quer que se apresentasse”, observou seu Acácio, que diariamente dá o ar de sua graça na sede da Entidade e recebe a todos com a melhor atenção possível. Quando o assunto é música, a conversa pode durar muitas horas.

Ele lembra quando veio de Campos para Duque de Caxias, em 1933. Já era músico e, com alguns outros, formou um grupo que contava com 16 músicos. Eles usavam vários nomes “mas o que ficou mesmo foi 7 de Setembro”. O grupo foi o precursor da Sociedade Musical e Artística Lira de Ouro, que foi oficializada em março de 1957. Recorda também dos primeiros mestres da Lira, como João Antonio do Espírito Santo, que a dirigiu por 4 anos; Walter Barros, o Vidinho, por 13 anos; e o Tenente da Polícia Militar Arlon Neiva, que ficou à frente da entidade por 14 anos. E do atual presidente de honra, Ramiro Graça Peixoto, que caminha com a Lira de Ouro desde a sua fundação e atualmente está com 93 anos.

Elogia a iniciativa do então presidente Juscelino Kubitschek de valorizar os músicos profissionais. “A profissão foi reconhecida e nós passamos a ser mais respeitados. Depois, com o tempo, tudo foi se perdendo e hoje está do jeito que está”, lamenta, sem, contudo, perder a esperança em dias melhores. “Não podemos desistir de enfrentar as dificuldades. Temos que estar sempre de pé”, prega o incansável músico, que participa dos ensaios da banda todas as sextas-feiras.

UMA ESCOLA DE VERDADE

- A Lira de Ouro sempre desempenhou o papel de uma verdadeira escola para aqueles que tinham como horizonte atuar profissionalmente como músico. Ela serviu como canal para revelar grandes talentos, que se destacariam em carreiras individuais ou mesmo em corporações militares. Nas duas últimas décadas, por exemplo, saíram de lá o saxofonista e flautista José Mendes, que trabalhou durante alguns anos sob contrato na Asa Branca e hoje atuando na banda da cantora Alcione, e o flautista João Bosco, que integra o Grupo Nosso Canto. O repertório sempre foi dos melhores, situado entre o clássico e o popular, resgatando obras de Pixinguinha, Benedito Lacerda, Heitor Villa-Lobos, Carlos Gomes e a dupla Jararaca e Ratinho.

Segundo o atual presidente Paulo Roberto Teixeira Lopes, o Beto Cavaco, ex-coordenador de Cultura do Município, até há algum tempo a Lira de Ouro tinha um calendário intenso de apresentações. Os anos se passaram e, sob influência da modernidade e da globalização impostas pelos grandes países, as tardes de retretas nas praças e a animação nos coretos da cidade deram lugar a outras manifestações distantes da nossa cultura, como os bailes de discotecas e, nos dias atuais, o funk. O inevitável, porém, segundo ele, acabou acontecendo com o passar do tempo: o entusiasmo da Lira de Ouro diminuiu e os músicos foram se afastando. “Sabemos da importância de uma banda em plena atividade na vida de um grande município como Duque de Caxias. Temos a esperança que novos horizontes se abrirão”.

NOVOS PROJETOS RENOVAM A ESPERANÇA

- A Lira de Ouro é um de nossos maiores exemplos de resistência, um belo, verdadeiro e legítimo “cartão de visitas” para Duque de Caxias - disse empolgado o presidente da Entidade, que conta com nova diretoria desde meados do ano passado. Logo ao assumir, os novos dirigentes promoveram um show beneficente, “Eu sou da Lira, não posso negar”, no Tribunal do Chope, com a participação de inúmeros artistas da cidade, como Beto Gaspari, Marcelo Ferreira, Edinho Nascimento, Grupo Nosso Canto, Banda Quarto Crescente e membros da própria Lira de Ouro.

A diretoria assumiu com a disposição de promover o resgate da entidade e torná-la mais que uma banda de interior. “Temos planos para transformá-la em uma verdadeira sinfônica, o que permitiria mostrar o talento, o poder de criação, o desenvolvimento e a consolidação da cultura em Duque de Caxias”, segundo o conselheiro Roberto Gaspari, que também já respondeu pela Coordenadoria de Cultura da cidade. Este grupo de músicos e intelectuais do Município, na sua maioria, é integrado por pessoas que sempre demonstraram engajamento em promoções de caráter cultural. Ele demonstra muita vontade em desenvolver projetos para transformar a sua sede própria, de cerca de 500 metros quadrados, localizada em área nobre no centro do Município, em um Centro Cultural ou Fundação. “Queremos atuar como um espaço cultural físico e, ao mesmo tempo, órgão fomentador de iniciativas, idéias e propostas renovadoras”, acrescentou Cavaco. Segundo ele, a “nova” entidade se dedicaria ao ensino da música e outras manifestações artísticas para os jovens de baixo poder aquisitivo que não dispõem de opções para o futuro. “Pretendemos dinamizar nossas atividades com uma política participativa, buscando novos caminhos”.

A atual diretoria da Lira de Ouro está assim formada. Presidente de honra - Ramiro Graça Peixoto, presidente – Paulo Roberto Teixeira Lopes (Beto Cavaco), Vice-presidente - José Machado Filho, Procurador - Dr. Geraldo Flávio Campos Dias, 1ª Secretária - Rosa Cristina da Silva Leite, 2ª Secretária - Maria José Correia Ferreira, 1º tesoureiro - Maria Marta Luna de Almeida, 2º Tesoureiro - Luís Alves Peixoto, Curador - Gelson Ramos da Costa, Diretor Artístico e Cultural - Rildo Pereira, e Diretor de Patrimônio - Acácio de Araújo. O Conselho Fiscal é integrado por Luiz Tavares Perco, Reinaldo Barreto Lisboa, Roberto Gaspari Ribeiro e Wilson Viveiro da Fonseca. A Sede Própria da Entidade está localizada na Rua José Veríssimo nº 72, centro, Duque de Caxias, e funciona diariamente.

(Josué Cardoso, para a Revista da Cultura Caxiense nº 4, Dezembro de 2002. Foto: Acervo da Lira de Ouro)

Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Lançada campanha para o tombamento de monumentos históricos da Baixada

► A Baixada Fluminense quer tombar e preservar o seu Patrimônio Histórico e Artístico. Historiadores, jornalistas, artistas, professores, pesquisadores e vereadores fizeram o lançamento da campanha no “Segundo Passeio Histórico-Cultural”, patrocinado pela Secretaria de Cultura de Duque de Caxias, realizado ontem (25 de maio) e que percorreu os chamados “Caminhos do Café”.

O roteiro incluiu visita à antiga Capelinha da Igreja de Santa Rita de Luziê, em Vilar dos Teles; às ruínas da Fazenda São Bernardino, em Vila de Cava, construída entre 1862 e 1875 pelo Comendador Bernardino de Melo, então Oficial da Guarda Nacional; à Torre sineira da Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Iguaçu, em Vila de Iguaçu, bem como os Cemitérios dos Brancos (hoje apenas ruínas) e dos Negros e Índios (este ainda em funcionamento), construídos em 1830, além do Cais e do Porto de Iguaçu. Também foram visitadas a Estação Ferroviária de Tinguá, construída em 1917 e desativada em 1963; a Estrada do Comércio, calçada em pedras por escravos em 1822, e a Reserva Biológica de Tinguá, criada pelo Governo Federal em maio de 1989 e que possui 26.000 hectares e 150 quilômetros de extensão. Os excursionistas conheceram ainda o Sítio Calundu, em Belford Roxo, onde estão sendo catalogadas peças pertencentes ao Instituto de Arqueologia Brasileira, e a Fazenda da Marquesa de Santos, no Bananal, além da Estação Transmissora de Sarapuí, do antigo Departamento de Correios e Telégrafos, ambos localizados em Duque de Caxias.
LEVANTAMENTOS – O Secretário de Cultura de Duque de Caxias, professor Stélio Lacerda, explicou que o projeto de preservação dos patrimônios histórico e artístico da Baixada inclui levantamento dos bens tombados, identificação de sítios e monumentos históricos não tombados, mapeamento de bens tombados e não tombados, bem como lutar pela recuperação e conservação do Patrimônio histórico da Baixada. O Prefeito de Duque de Caxias, Moacyr do Carmo, disse que ao lado da educação, a cultura também é uma grande arma contra a miséria, como constata a história de várias civilizações desenvolvidas.
Organizador do passeio juntamente com o também professor e historiador Rogério Torres, Armando Valente lembra que a Baixada fluminense sempre é “caminho de alguma coisa: da água de Tinguá par o Rio, do café, outro, do açúcar, laranja, óleo e gás da Petrobrás. Rogério Torres emenda afirmando que “a riqueza, por aqui, continua passando direto”, deixando apenas “rastros”.
HOMENAGEM – A Secretaria de Cultura e o Instituto Histórico da Câmara Municipal de duque de Caixas prestaram uma homenagem in memorian ao jornalista e historiador Valdik Pereira. Os alunos de 1º grau Angélica Torres, Tiago Valente e Marcos torres depositaram flores junto ao Cruzeiro do “Cemitério dos Negros e índios”, ainda em funcionamento em Vila Iguaçu. Valdik Pereira foi fundador de várias instituições culturais, como o Instituto Histórico e Geográfico de Nova Iguaçu e, ao lado do historiador Neil Alberto, ajudou a criar o Instituto Histórico e Geográfico de Duque de Caxias, para o qual contribuiu também com a cessão de documentos inéditos. Deixou ainda documentados os seus esforços em prol do resgata da história da Baixada Fluminense através de obras como “Cana, Café e Laranja”, “A Mudança da Vila” e “Nova Iguaçu para o Curso Normal”.

Entre os participantes do Segundo Passeio Histórico Cultural estavam, além do Secretário de cultura de Duque de Caxias, professor Stélio Lacerda, os vereadores Magaly Machado (Presidente da Comissão de Educação, Cultura e Meio-Ambiente da Câmara Municipal de Duque de Caxias) e Gênesis torres (São João de Meriti); o Chefe da Divisão de difusão Cultural e Chefe da Difusão de Patrimônio Histórico e Artístico da Secretaria de Cultura de Duque de Caxias, respectivamente André Viana e Rosa Cristina Leite; os historiadores Rogério Torres, Armando Valente e Guilherme Peres; o Presidente da Federação de Reisado do ESTado do Rio de Janeiro (Frerja), Edgar de Souza; a Presidente do Instituto Histórico da Câmara Municipal de Duque de Caxias, professora Gladys Braga Figueira; professoras Arlete Amaral, Maria da Penha Castilho, Marinete Machado, Alice Guerrieri, Ângela Terezinha e Vanilda Liziete; jornalistas Josué Cardoso, Fernando Lapoente, Sérgio Souto, César Moutinho, Carlos Mendonça e Sérgio Meireles; fotógrafos Paulo Martins, Edson França, Wiltonauar Moura e William Manhães; professora Wilma Teixeira e Luiz Carlos dos Santos (Luca), do Conselho Municipal de Cultura de Duque de Caxias; artistas plásticos Paullo Ramos, Alfredo Paschoal e Araken Álvaro, entre outros convidados.

Mais informações sobre a Campanha pelo Tombamento e Preservação dos Patrimônios Histórico e Artístico da Baixada Fluminense poderão ser obtidas na Secretaria de Cultura de Duque de Caxias (Praça Governador Roberto da Silveira nº 31, 4º andar, bairro 25 de Agosto), de segunda a sexta-feira, em horário comercial.

(Press-release de Josué Cardoso para a Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Duque de Caxias, em 26 de Maio de 1993)

Sábado, Dezembro 17, 2005

Centro Cultural Oscar Niemeyer começará a ser construído no centro em novembro

A obra será erguida na Praça do Pacificador, com 4.000m2
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► As obras do Centro Cultural de Duque de Caxias, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, finalmente vão sair do papel. O Tribunal de Contas do Estado acaba de autorizar a licitação, pela Prefeitura, marcada para o dia 3 de outubro, às 14h, na sede do Poder Executivo, em Jardim Primavera. A empres vencedora da licitação terá prazo de 30 dias para iniciar as obras, que custarão cerca de R$ 7 milhões, recursos do próprio município e da iniciativa privada. A previsão do término da obra é de 12 meses.

O Centro Cultural que será construído na Praça do Pacificador, área de cerda de quatro mil metros quadrados, além de teatro com capacidade para 440 pessoas, terá biblioteca pública e salas para oficinas de artes e atividades diversas como música, artesanato e artes plásticas, e ar condicionado central. “A história vai perpetuar, mais cedo ou mais tarde, essa iniciativa pioneira que elevará a cultura da região a nível de primeiro mundo“, comemora o secretário de Cultura Gutemberg Cardoso. “A população vai ganhar uma bela obra projetada por um gênio”, disse o prefeito José Camilo Zito, lembrando que o município está criando o Conselho Municipal de Cultura, atendendo à Lei Orgânica Municipal, que junho com o Fundo Municipal de Cultura, que também sendo criado, vão desenvolver políticas públicas voltadas para a área cultural.

Primeiro projeto individual na Baixada Fluminense, o Centro Cultural será referência em todo o Estado do Rio de Janeiro. Com a construção do Centro Cultural, o atual Teatro Municipal Armando Mello (TEMAM), localizado no Shopping Center, no centro, será transformado na Escola Municipal de Teatro. Ministrando cursos há mais de 10 anos, o TEMAM já deu oportunidade a mais de 2 mil alunos. “Inaugurado nos final dos anos 60, o Teatro Armando Mello não absorve hoje as necessidades para eventos da secretaria de cultura. Efetivamente, será mais um espaço alternativo para ensaios de grupos de teatro do município, além de se tornar a primeira escola pública de teatro da Baixada Fluminense”, ressalta Gutemberg Cardoso.

(Josué Cardoso, press-release para a Secretaria Municipal de Cultura, Setembro de 2003. Foto: SMC/Paulo Martins)

Fórum vai definir a política cultural para Duque de Caxias

► A Secretaria de Cultura de Duque de Caxias promove no próximo dia 28, às 14h, mais um encontro para discutir a preparação do Fórum Municipal de Cultura que será realizado em agosto, em local a ser definido, e que será responsável, depois de criado e sancionado por lei, pela definição da política cultural para o Município. Na tarde de anteontem, o secretário de Planejamento, Raslan Abbas, falou sobre o assunto no encontro realizado na Escola de Artes da Secretaria de Cultura. O primeiro encontro público foi no dia 28 de abril, no Shopping Unigranrio.

No encontro da próxima quarta-feira, o palestrante será o subsecretário de Ação Social e Trabalho, José Márcio Zanardi, que vai discutir o processo de formação do Conselho Municipal de Cultura, a criação Fundo Municipal de Cultura e ONGs. Estão previstas para os dias 14, 21 e 28 de julho, no Teatro Procópio Ferreira, sempre às 18h30, reuniões ampliadas com a participação de artistas, produtores, intelectuais e empresas de produção cultural, que apresentarão subsídios e sugestões para a pauta final do fórum, cujo principal passo será instituir o Conselho Municipal de Cultura, como determina a Lei Orgânica Municipal (LOM). Também será criado o Fundo Municipal de Cultura, objetivando a implementação de uma política pública para a cultura do município.

(Josué Cardoso, publicada em O Municipal, edição de 23 a 30 de maio de 2003)

Estréia da Companhia Municipal de Dança de Duque de Caxias será dia 23 no Sesi

► A Secretaria de Cultura de Duque de Caxias anunciou que a estréia da Companhia Municipal de Dança acontecerá no dia 23 próximo, no Teatro do Sesi, às 19h. A data marcada anteriormente (dia 16), teve que ser alterada por problemas técnicos. O espetáculo de estréia chama-se “Formas”. A Companhia é formada por 20 jovens bailarinos, moradores em Duque de Caxias, Japeri, Belford Roxo e São João de Meriti, selecionados entre mais de 90 candidatos durante o primeiro semestre do ano. Para o evento estão sendo convidados empresários do município e jornalistas, além de pessoas ligadas à música e à dança.

A Companhia Municipal de Danças de Duque de Caxias foi oficializada em julho, através da Lei 1.723. Antes disso, no início de abril, ela já mostrava “sua vontade de viver” na Academia Walter Russo, que abriu suas portas para a seleção dos candidatos inscritos para formar seu elenco. É a primeira formada na Baixada Fluminense, dirigida pelo bailarino Carlos Mutalla e coreografada por Ney Andrade.

Os dançarinos, que têm idade de 15 a 25 anos, recebem bolsa-auxílio de R$ 100 da Prefeitura. Os ensaios acontecem às terças e quintas-feiras, das 13h às 17h, na Academia Walter Russo, na Rua Professor José de Souza Herdy, bairro 25 de Agosto.

- O objetivo principal da Companhia Municipal de Dança de Duque de Caxias é dar oportunidade a jovens talentos, que acreditam na sua manifestação artística, na sua força de expressão e no seu poder de criar um mundo de esperança através da dança – explica Carlos Muttalla, que acrescenta: “Queremos oferecer condições para que eles possam ser valorizados e sirvam de modelo aos que ainda têm sonhos e que possam criar uma história de vida digna e vitoriosa, mesmo diante das dificuldades”.

(Josué Cardoso, press-release para a Secretaria Municipal de Cultura, Setembro de 2003)

Dez grupos vão concorrer no 2° Festival de Teatro de Duque de Caxias

► A Secretaria de Cultura de Duque de Caxias liberou no último dia 30 a relação dos 10 espetáculos selecionados para o 2º Festival de Teatro, que será realizado de 30 de agosto a 5 de setembro, no Teatro Procópio Ferreira, da Câmara Municipal. Nessa fase, foram inscritas 54 peças de grupos da Capital, Baixada Fluminense, Itaguaí, Niterói, Cachoeiras de Macacu e Petrópolis. O sucesso do evento foi marcado pelas 85 inscrições feitas para as categorias infantil e adulto. O melhor espetáculo vai receber R$ 2 mil. O festival está sendo coordenado pelo Centro de Pesquisas Teatrais (CPT) de Duque de Caxias. Dos grupos selecionados para o festival, oito são do Rio de Janeiro. Os outros dois são de Niterói e Petrópolis.

Serão apresentados dois espetáculos por dia, às 15h e às 19h, com entrada franca. Também serão entregues troféus para o melhor ator, melhor atriz, melhor ator coadjuvante, melhor atriz coadjuvante, melhor direção, melhor cenografia, melhor maquiagem e melhor figurino. A relação dos espetáculos classificados é a seguinte: “Valsa nº 6”, de Nelson Rodrigues, com a Companhia de Pitangas Bravas Teatro, de Niterói; “Entre 4 paredes”, de Jean Paul Sartre, com a Companhia Improvável, de Botafogo; “1964”, de Cláudio Rodrigues, com a Tribo Obs. Cena, de Petrópolis; “O Noviço”, de Martins Pena, com a Companhia Teatral OK, do Centro do Rio; “Nossos segredos inconfessáveis”, de Fernando Veríssimo, com o grupo Artemão Produções Artísticas, da Lapa; “Torturas de um coração”, de Ariano Suassuna, com o grupo Sarça de Horeb, de Laranjeiras; “A pena e a lei”, de Ariano Suassuna, com o grupo Desata Mas Não Ata, de Laranjeiras; “Enamorados”, de Rômulo Rodrigues, com a Companhia Escaramucha de Teatro, do Andaraí; “Fascinação”, de Nelson Rodrigues, com o grupo Desencena, de Ipanema; e “Médico à força”, de Molière (adaptação de Robson Sanches e Monique Carvalho), com o grupo Farsa Cena Companhia Teatral, de Botafogo.

- O 2º Festival de Teatro vai ficar na história. Tivemos, nas duas fases, 85 grupos inscritos, o que mostra o desenvolvimento da Cultura em Duque de Caxias. É gratificante saber que, dos espetáculos que disputaram as 10 vagas, na categoria adulto, mais de 30 são trabalhos de grupos da Capital. No ano que vem, o festival vai ser realizado no teatro do Centro Cultural Oscar Niemeyer, que está sendo construído no centro da cidade e terá capacidade para mais de 400 pessoas. Ele será um dos mais modernos do estado. Em nome do governo, quero agradecer a todos os grupos que se ins-creveram e convidá-los para assistir as apresentações em nossa cidade - afirma o secretário de Cultura Gutemberg Cardoso, que também elogiou o CPT pela organização do evento.

(Josué Cardoso, press-release para a Secretaria Municipal de Cultura, agosto de 2004)

Carlos Bezerra assume a presidência da Academia de Letras e Artes

► A Academia Duquecaxiense de Letras e Artes realizou a solenidade de posse de sua nova diretoria para o biênio 2003/2005. A cerimônia foi no plenário da Câmara Municipal, onde estiveram presentes autoridades, personalidades, artistas e intelectuais da Baixada Fluminense. A Academia está completando 35 anos de existência e terá a frente nos próximos dois anos o jornalista Carlos de Sá Bezerra, diretor-proprietário da Revista Caxias Magazine.

Bastante emocionado, Carlos Bezerra disse, em seu discurso, que estava vivendo um dos momentos mais especiais de sua vida. “Estou muito feliz por estar assumindo a Academia de Letras e Artes de Duque de Caxias. É um momento muito especial para mim porque assumo um cargo extremamente importante”. Enquanto as acadêmicas Vera Ponciano e Penha Santiago declamavam poemas para homenagear a ocasião, a acadêmica e professora Vilma Teixeira escrevia um poema em um quadro e o artista plástico e também acadêmico, Paullo Ramos, fazia uma pintura em uma outra tela.

A mesa diretora dos trabalhos era integrada pelo ex-presidente Francisco Quixaba Sobrinho, pelo presidente da Câmara Laury Villar e alguns acadêmicos, como Álvaro Lopes, José Carlos Leal, Sydnei Guerra e Maria da Penha Santiago. Entre os presentes estavam o ex-vice prefeito Ruyter Poubel, a secretária municipal de Educação Roberta Barreto, a subsecretária de Cultura Sílvia Mendonça, O presidente do Instituto de Pesquisas e Análises Históricas e de Ciência sociais da Baixada Fluminense (IPAHB) Gênesis Torres, a diretora do Instituto Histórico da Câmara Municipal, Tânia Amaro, e a presidente da Associação dos Amigos do Instituto Histórico de Duque de Caxias, Maria Vitória Leal. Representando O Municipal esteve presente a diretora presidente Neuza Veneu.

A diretoria da ADLA está assim composta: Carlos Bezerra (presidente), Álvaro Lopes e Vilma Teixeira (1º e 2º vice-presidentes, respectivamente), Alfredo Pascoal (secretário geral), Maria da Penha Santiago (secretário adjunto), Marta Rossi e Manoel Tomaz (1º e 2º tesoureiros, respectivamente), José Carlos Leal (diretor cultural e comunicação social), Francisco Quixaba (diretor de patrimônio) e Sidney Guerra (procurador). Liborni Siqueira, Paullo Ramos e Vera Ponciano integram o Conselho Fiscal), tendo como suplentes Elton Cruz, Carlos Mendonça e Íris Poubel. Na Comissão de Admissão e avaliação estão Irani Fonseca, Dina Guerra e Messias Neiva. Os suplentes são Dalva Lazaroni, Dalki Teixeira e Emília Lazaroni.

(Josué Cardoso, publicado em O Municipal, edição de 6 a 13 de junho de 2003)

Sexta-feira, Dezembro 16, 2005

Forró de Caxias vira ‘point’ de moradores

► O projeto Forró na Feira, da secretaria de Cultura de Duque de Caxias, realizado nos fins de semana na Praça Governador Roberto Silveira, no Centro, é hoje o espaço cultural público mais freqüentado da Baixada Fluminense. Lá pode-se encontrar moradores da cidade e municípios da região, como Nova Iguaçu, Queimados, Nilópolis, São João de Meriti,Belford Roxo, Magé e até das cidades serranas de Petrópolis e Teresópolis. Comemorando cinco anos de sucesso, o forró já recebeu visitantes de Macaé, Niterói e da Região dos Lagos, além de vários bairros da Capital. Abrindo espaço para grupos de forró do estado, o projeto recebe aos sábados e domingos mais de cinco mil visitantes, segundo os organizadores.Todos se divertem a valer, curtindo forró pé-de-serra com segurança total.

O secretário de Cultura Gutemberg Cardoso participou das comemorações do 5º aniversário do projeto Forró na Feira grande parte acompanhadas de filhos menores, elegeram o programa como a melhor opção de lazer. Além de comidas típicas servidas nas barracas o freqüentador que gosta de uma bebida mais quente, além da cerveja, pode saborear aguardente de várias marcas. Outra bebida muito procurada é a “Chiboquinha” que, segundo alguns freqüentadores, é afrodisíaca.

O público não precisa procurar sanitários em bares e restaurantes. A prefeitura instala banheiros públicos para homens e mulheres. A segurança conta com apoio da Polícia Militar, Polícia Civil e da Guarda Municipal. Aos sábados as barracas começam a funcionar às 20h com música eletrônica. Os grupos convidados começam a se apresentar às 22h. Nos domingos, quem quiser se alimentar mais cedo é só procurar as barracas que abrem às 9h, e onde pode-se encontrar buchada de bode, sarapatel, carne-de-sol com aipim, queijo de coalho, acarajé entre outras iguarias regionais. Nesse dia a música ao vivo começa às 13h.

O projeto fortaleceu também o comércio. Bares e restaurantes, que antes cerravam as portas cedo, hoje ficam abertos quase a noite toda. Com isso, ganham os comerciantes e os empregados, que garantem um rendimento extra todo fim de semana. Artesãos e poetas também comercializam seus produtos. Chinelos de couro, chapéus, literatura de cordel e redes também são vendidos por ambulantes nos intervalos musicais.

(Josué Cardoso, press-release para a Secretaria Municipal de Cultura, Junho de 2003)

Quinta-feira, Dezembro 15, 2005

Caxias terá Centro Cultural com a assinatura de Oscar Niemeyer

Naldo Farias, Oscar Niemeyer, Gutemberg Cardoso e Zito diante da maquete do projeto
► A Prefeitura de Duque de Caxias vai construir, com ajuda da iniciativa privada, um Centro Cultural no coração da cidade, com projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. O prédio vai ser erguido na Praça do Pacificador, em uma área de quatro mil metros quadrados, e custará cerca de R$ 6 milhões. O arquiteto esteve no município com o prefeito José Camilo Zito para assinar o contrato do audacioso projeto, no dia 5 de setembro último, e seu escritório será responsável também pelo gerenciamento da obra.

O Centro Cultural de Duque de Caxias vai ser a primeira obra do arquiteto na Baixada Fluminense e referência em todo o Estado. "A população vai ganhar esse presente, uma bela obra construída pelas mãos de um gênio", observou o prefeito Zito. Além de teatro com capacidade para 400 pessoas, o Centro Cultural terá biblioteca pública, anfiteatro e salas para atividades culturais de artes plásticas, música, vídeo e cursos.

O secretário de Cultura, Gutemberg Cardoso, durante a solenidade de assinatura do projeto no Gabinete do prefeito Zito, lembrou que Oscar Niemeyer “é um patriota e um profissional respeitado em todo o mundo”. Recordou as lutas de Niemeyer, há décadas, pelos seus ideais, e da vontade que tinha de conhecer o prefeito Zito, há cerca de três anos, cujo encontro inicial foi no escritório do arquiteto, em Copacabana. "Este momento certamente vai significar a redenção do povo pelas mãos de Zito, que trouxe dignidade e cidadania", disse o secretário, acrescentando que o arquiteto entra para a história de Duque de Caxias pela magnífica obra, pioneira na região da Baixada Fluminense.
UM SONHO VIRA REALIDADE
Falando à Revista da Cultura Caxiense, o secretário Gutemberg Cardoso lembrou que tudo começou nos primeiros meses de 1997, ano em que Zito assumiu a prefeitura. “Eu ocupava a Subsecretaria de Cultura e, em conversa com o então secretário Stélio Lacerda, defendi que era o momento oportuno para propor ao prefeito a construção de um Centro Cultural no município, projeto este um antigo sonho dos artistas e demais segmentos da sociedade".

- Inicialmente a Idéia era aproveitar um terreno na esquina da Av. Presidente Kennedy com a Dr. Manoel Telles, por ser o mesmo um bem público. Levamos a proposta ao prefeito e sugerimos convidar o arquiteto Oscar Niemeyer para idealizar o projeto, que abrigaria um teatro, biblioteca, salão de exposições e oficinas de artes. O prefeito Zito disse-nos que, caso conseguíssemos convencer Oscar Niemeyer a fazer o projeto, a prefeitura iria atuar para transformar o projeto em realidade - recordou o secretário.

A visita foi agendada e, 15 dias depois, Niemeyer recebia os enviados da prefeitura - o próprio Gutemberg, Aroldo Brito e o líder comunitário Joel. “A conversa inicial girou em torno de política, educação e cultura. Falamos a Niemeyer do interesse do prefeito Zito em construir o Centro Cultural com projeto por ele assinado”. Niemeyer, segundo Gutemberg, pediu tempo para pensar e antes quis saber mais detalhes sobre Zito, como havia sido eleito e se ele realmente estava decidido a construir o Centro Cultural, a qual considerou “uma obra cara”.

Foi marcado novo encontro, sendo a prefeitura, desta vez, representada somente por Gutemberg. “Ao entrar no escritório, Niemeyer foi taxativo:” Não farei projeto algum para Caxias. Muitos prefeitos pedem projetos e não realizam. E não adianta insistir “. Diante da situação, Gutemberg lembrou que pediu um copo d´água ao arquiteto e provocou o início de novo diálogo.”Falei das minhas lutas, da militância comunista, de Luiz Carlos Prestes, de Lamarca, dos CIEPs, de Leonel Brizola, de Darcy Ribeiro, do sonho do povo de Duque de Caxias em ter um espaço digno e apropriado para as atividades culturais, do desejo verdadeiro do prefeito Zito de realizar a tão importante obra”, recapitulou Guto.

“Diante da situação, Niemeyer admitiu que eu o havia convencido”. A partir disso, foi marcado novo encontro e, uma semana depois, o prefeito Zito e representantes da Secretaria de Cultura estavam reunidos com Niemeyer em seu escritório para selar o destino do projeto.

Três ou quatro meses depois, Niemeyer visitava Duque de Caxias pela primeira vez, trazendo pessoalmente a maquete do Centro Cultural que, em princípio, se chamaria Darcy Ribeiro. O local para a construção do mesmo não mais seria o pequeno terreno onde já havia funcionado o Mercado do Produtor Rural e sim a área da Praça do Pacificador, por escolha do próprio Niemeyer, considerando o local mais adequado para receber obra de tal envergadura.

Segundo o prefeito José Camilo Zito dos Santos Filho, a construção do Centro Cultural de Duque de Caxias deverá começar no início de 2003.

(Josué Cardoso para a Revista da Cultura Caxiense nº 3, Outubro de 2002. Foto: Paulo Martins)

Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

Escola de Caxias premiada pela ONU ganhou nota 2

► Uma das 10 melhores escolas do País, entre 146 unidades educacionais de 14 Estados avaliadas na pesquisa “Escolas Inovadoras”, promovida pela Unesco, órgão da ONU voltado para a Infância e a Educação, a Escola Estadual Guadalajara, no bairro Olavo Bilac, em Duque de Caxias, foi “premiada” pelo governo do Estado no ano passado com a nota 2, numa avaliação que vai de 1 a 5 dentro do projeto “Nova Escola”. Como “prêmio”, cada professor teve direito a mais R$ 200 no contracheque, já que cada ponto na “Nova Escola” equivalia a mais R$ 100 no contracheque, enquanto para o pessoal de apoio a “premiação” era de R$ 50.

Desde janeiro, porém, a premiação foi suspensa, estando em curso uma nova avaliação, que será feita pela Fundação Cesgranrio, ao um custo estimado em R$ 4,2 milhões. O feito da Escola Guadalajara foi resultado da atuação do Núcleo de Cultura, projeto criado em 1966 e que leva teatro, dança e música aos estudantes. Com essa inovação, a taxa de evasão escolar caiu para 8,5%, quando a média no Estado é de 14,6% para o ensino fundamental, chegando a 20,1% no ensino médio. Com o resultado da avaliação, a escola ganhou um prêmio de R$ 50 mil do Governo Federal, que a diretora Edilane Pacheco não pode ir a Brasília receber, pois fora, coincidentemente, convocada a Escola de Caxias premiada pela ONU ganhou nota 2 acompanhar a secretária de Educação, Darcília Leite, numa visita de rotina às escolas no Município.

Edilane Pacheco informou que 90% dos alunos que participam de atividades promovidas pelo Núcleo completam o Ensino Médio. E dá uma pista dos motivos da evasão escolar. “Antes da existência do Núcleo de Cultura do Guadalajara, os jovens saiam da escola em busca de um subemprego”. Dentro do projeto pedagógico, o Núcleo de Cultura organizou um seminário para que os estudantes discutissem a violência no bairro Olavo Bilac, localizado na divisa de Duque de Caxias com São João de Meriti e Belford Roxo. “Antes, os alunos queriam ir lá ver quantos tiros a pessoa tomou, sob a justificativa de que, se morreu, estava devendo. Hoje, o respeito é maior e a auto-estima também melhorou. Isso se reflete na própria escola, que não é mais depredada e tem menos pixações”, explicou.
Nesses 7 anos de existência, o Núcleo de Cultura, além de cursos de teatro e dança, também promoveu outros projetos, como a produção de material didático voltado para a cultura afro-brasileira, estando atualmente com 8 oficinas, que funcionam durante a semana, quando, no início do projeto, elas funcionavam apenas aos sábados.

(Josué Cardoso e Alberto Marques, publicada em O Municipal, edição de 17 a 24 de outubro de 2003)

Show no Procópio Ferreira presta homenagem ao cantor e compositor Adilson Sampaio

Rita, Adilson e Sean no início dos anos 90


► A grande atração em Duque de Caxias neste fim-de-semana é a presença de Lôra no Teatro Procópio Ferreira, na Câmara Municipal, no domingo (dia 19), a partir das 19 horas. O show chama-se !Sol Vermelho” e á o segundo da carreira-solo da cantora e o primeiro em Caxias a utilizar um canhão de laser na iluminação. No repertório, músicas de Janis Joplin, Adilson Sampaio, Toninho e Hestoesse, entre outros. Os ingressos podem se adquiridos antecipadamente na Bariloche Discos (Lojas 14 e 15 do Mercado Municipal) ou na portaria do teatro, ao preço de Cz$ 30.

Além dos convidados Sérgio Meireles - guitarra, Dedo - contrabaixo e Toninho Mal - guitarra base, vocal e percussão, o acompanhamento da banda Filhos da Mãe. Outra convidada especial será a cantora Rita Alves, mulher do cantor e compositor Adilson Sampaio, falecido recentemente e que será homenageado por Lôra. O diretor do show, Carlinhos Lima, agradece ao público, alguns amigos e artistas, sem os quais não haveria espetáculo, citando entre eles, Canthídio, Chiquinho Maciel, Ediéio Mendonça, Nélio Menezes, Hestoesse, Elias viajante, Zequinha, Sérgio Canhoto, Josué Cardoso, Erevilton “Gênio” Muniz, Rita Alves, Cipriano e o pessoal do “Trem”. Os agradecimentos, segundo Carlinhos, “é também estendido até mesmo aos que se prontificaram em colaborar com o show e não o fizeram”.

"No paraíso eterno, longe
dos estouros dos canhões"

► Sábado, 17.8.85, Viçosa-MG. Durante a caminhada de mil e quinhentos metros da rodoviária à Universidade Federal, Adilson faz um fundo musical com algumas músicas suas e outras de Lennon & McCartney e Bob Dylan. Por volta das 19 horas, cruzamos os portões do Festival de Viçosa, onde quase uma dezena de músicos e bandas se apresentariam até o sol raiar, mesmo a 649 metros acima do nível do mar, na zona da Mata mineira. Com Adilson e eu éramos nove pessoas: Pimenta, Gilson, Viajante, Rita, Paulinho, Taís e Canhoto. Lá pelas tantas da noite, 4 graus nos termômetros, um frio de lascar que absorvia o calor humano dos dez mil presentes. Entre uma caneca e outra de vinho quente com canela, e conversa com amigos da região, a noite acabou “esquentando” quando subiu ao palco o Sagrado Coração da Terra, sexteto liderado por Marcus Viana. Depois vieram o virtuoso guitarrista Ségi Dias (o Serginho Bastos, gente daqui, também integrava a banda) e Hermeto Pascoal. A madrugada já corria solta, a neblina fazia fundo para os spots multi-coloridos. Adilson brilhava, como nós todos ali, da platéia e do palco, e vez ou outra lembrava que a paz era “viável e possível”.
► Domingo, 18.8.85, Porto Firme-MG. 32 quilômetros adiante, 545 metros de altitude. Às 19 horas, num quarto do único hotel familiar da cidade, onde estávamos hospedados desde sexta, acertávamos os últimos detalhes para a apresentação do show de encerramento do 32º aniversário da cidade. Já éramos quinze – os nove de Viçosa mais Cirpiano, Lôra, Sérgio Meireles, Denizard Beethoven, Roberto Elon e Denor. Dos 12 mil habitantes da cidade, 3.500 se aglomeravam na praça. No palanque, na bacia do Rio Piranga, Cipriano entra. Intervalo. Depois de Lôra, Adilson, acompanhado da fiel gaita e do inseparável violão folk. “É muito bom esta aqui com vocês”, confidenciou à platéia, antes de iniciar os acordes da canção “Um novo sonho”. Arrematou a rápida apresentação com “Isso não se ensina” e “Soprar a minha harmônica num blues”. Durante os dias seguintes, ele continuava lembrando que a paz era possível.
► Sábado, 31.5.86, RJ, 12 horas. Adilson Sampaio Ferreira, aos 32 anos, sem se despedir, parte em busca do “paraíso eterno para um espírito imortal”, conforme dizia sua letra “Um novo sonho”, e “longe doas ambições, das riquezas desejadas, dos estouros dos canhões”, segundo a inédita “Seja bem-vindo a este reino”. Ficaram Rita, a parceira de fé, e Sean, o único filho do casal, de 5 anos, centenas de amigos e outros tanto de admiradores. E uma fita independente, com “Um novo sonho” e “Senhor de fraque e cartola”, passeando em algumas FMs cariocas. “Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar” (“Canção da América”, Milton Nascimento e Fernando Brant).

(Texto de Josué Cardoso, publicado no então diário O Municipal, 17.10.1986. Foto: Sérgio Canhoto)

Domingo, Novembro 13, 2005

Folias de Reis: mais de quatro séculos de história ameaçados por falta de apoio


O folclorista Edgar de Souza entre o Secretário Estadual de Cultura Leonel Kazz (esquerda) e o governador Marcelo Alencar, em 1998, no Palácio Guanabara, durante apresentação do Projeto Folias de Reis, da Frerja. Ao fundo, em pé, o secretário de Cultura de Duque de Caxias, professor Stélio Lacerda

► O dia 20 de janeiro de 2005, data consagrada a São Sebastião, o padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, pode ter sido, também, o fim de um ciclo histórico em que árabes, portugueses e brasileiros se uniram para comemorar, de forma alegre e popular, a caminhada dos Três Reis Magos em direção a Belém, para saudar a chegada do Messias.
Oriunda de Portugal, as Folias de Reis vieram para o Brasil com os colonizadores no Século XVII, onde, além do sentimento religioso, ganharam força política, pois cada "Bandeira" era patrocinada por um grande produtor rural da região e a disputa, para ver quem era o melhor Mestre Reiseiro. Na verdade, era uma disputa política. Formada inicialmente por colonos portugueses, as Folias de Reis logo incorporaram a participação do povo e a tradição das caminhadas, recolhendo prendas de porta em porta. Foram se espalhando. Duque de Caxias, sede da Federação de Reisado do Estado, abriga dezenas de grupos de Folia de Reis, alguns com mais de 130 anos de existência, como a Folia da Mangueira, do Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro, ou a Estrela Guia do Oriente, de Xerém, do 4º Distrito de Duque de Caxias, que já ultrapassou os 150 anos de existência, pois os Mestres Reiseiros transferem a seus descendentes a obrigação, no final de cada ano, reviverem a caminhada dos Reis Magos em direção a Belém, para conhecer o Menino Jesus.
As raízes das "Folias de Reis" são tão profundas que compositores como Milton Nascimento e Martinho da Vila foram ali buscar inspiração para algumas de suas composições. Algumas Folias de Reis têm mais de 50 composições em seu repertório, que procura recontar a trajetória dos Três Reis Magos e as profecias do Velho Testamento sobre a vinda de Jesus Cristo, o Salvador. Infelizmente, a Federação de Reisado, fundada em julho de 1972, não vem recebendo do Poder Público o apoio que merece, como legítima representante de nossa cultura popular, daí porque esse 20 de janeiro pode marcar o fim de uma tradição de mais de quatro Séculos.
Nos anos 90, a Federação ainda contava com o apoio pessoal do então governador Marcello Alencar e do prefeito de Duque de Caxias, Moacyr do Carmo, que prestigiavam as iniciativas da Federação, sendo uma presença constante na sede da Entidade, instalada desde sua fundação em duas salas de um velho prédio da Av. Duque de Caxias, ou em eventos por ela promovidos. Nos últimos oito anos, muitas Bandeiras deixaram de sair por falta de dinheiro para os aquisição e manutenção de instrumentos musicais e de uniformes, fundamentais para as suas romarias durantes os festejos de Natal. Até o momento, já passam de 100 o número de Bandeiras que deixaram de fazer as romarias no Natal. A extinção caminha com rapidez devastadora: só em Duque de Caxias, das 42 Bandeiras que havia em 1980, só restam 18 em atividade, que enfrentam inúmeras dificuldades.
PROJETOS - Mesmo diante das grandes barreiras que a cultura popular enfrenta, a Federação de Reisado tem dois projetos aguardando solução: “Resgatando as Folias de Reis”, junto à Secretaria Estadual de Cultura, no qual propõe uma série de apresentações de Grupos de Folias de Reis em inúmeros espaços públicos e privados, além de outras iniciativas; e “Resgatando e Preservando as Folias de Reis”, na Petrobras, propondo pesquisa, catalogação, registro, publicações e gravação de CD e DVD com os Grupos de Folias de Reis existentes no Estado.
Ao contrário do Carnaval, onde as empresas investem em merchandising e colocam suas marcas até nos adereços, nas Folias de Reis isso não acontece: não há "patronos", nem o dinheiro fácil do "jogo do bicho", pois ali a manifestação popular preserva integralmente o seu espírito original de manifestação religiosa, que não se presta a arroubos políticos ou publicitários. Resta esperar que o novo Governo do Município, que dispõe de uma Secretaria de Cultura e outra de Eventos, além de grande lastro junto ao Governo do Estado, possa participar do mutirão que defendemos há muitos anos, para resgatar as Folias de Reis e devolver ao povo uma das mais puras manifestações populares, como ocorre em outras regiões do País, como o Tambor-de-Criola, do Maranhão; Cambinda (Paraíba), Chegança (Sergipe), as Danças do Marajó, a Congada (Goiás) ou a Festa do Divino, de Paraty.

(Josué Cardoso para o “Jornal do Folclore”, da Federação de Reisado do Estado do Rio de Janeiro-FRERJA, Edição nº 10, de março de 2005. Foto: acervo da Frerja)

A Baixada Fluminense tem o seu Aleijadinho


O talento de Darcílio Ferreira Soares, que veio para a Baixada aos 22 anos, é comparado por outros artistas e estudiosos ao do gênio do barroco mineiro

► Nascido em Minas Gerais há 52 anos, Darcilio Ferreira Soares teve uma infância difícil Sem os pais, foi internado em uma creche de Belo Horizonte. Foi lá, para ocupar o tempo, que começou a brincar com a cerâmica. Ele diz que achava tudo fácil, mesmo não tendo ninguém para incentivar ou mesmo ensinar a lidar com o material.
Alguns anos depois, agora vivendo em um internato em Juiz de Fora, onde cursou o antigo ginásio, aproximou-se mais ainda da arte e, aos 18 anos, teve que deixar o colégio e passou a viver com alguns amigos, que trabalhavam como entalhadores de móveis. Quatro anos depois, desembarcava no Rio de Janeiro, indo residir em São João de Meriti e depois em Duque de Caxias, onde vive até hoje, no Parque Santa Lúcia.
Talento parece ser mesmo algo que vem de berço. O trabalho de Darcilio, apesar de nunca ter freqüentado nenhuma escola de arte, é comparado nos dias de hoje por muitos ao do gênio do barroco mineiro, Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. “Só sei que nasci no mesmo mês que ele, exatamente 222 anos depois”, desconversa o escultor, que tem um currículo de fazer inveja a muitos outros artistas. Nele constam dezenas de imagens sacras em madeira, sob encomenda de antiquários e colecionadores, bem como restauração de várias Igrejas, entre elas a de São José, no Campo de Santana, no Rio; da Ressurreição, em Copacabana; e a de Nossa Senhora da Conceição, em Sabará, Minas Gerais, entre muitas outras. Além de restauração, ainda produz imagens para Igrejas de várias cidades do País e até mesmo do exterior. Possui ainda inúmeras peças no 1º Museu Itinerante da Bíblia, iniciado em 1998 pela escritora e catequista Margarida Maria Lima. Darcílio acredita que criou cerca de 50 peças de grande porte em sua carreira.
Entre os colecionadores que mais admiram o artista está Carlos Alberto Serpa, fundador do Cesgranrio, que possui um presépio com 60 peças e seis imagens de santos. Para Serpa, uma grande exposição do artista certamente traria patrocínio e mais condições para produzir um número maior de obras. A cantora Elba Ramalho também possui obras do artista.
- Darcilio é um artista completo - depõe o também artista plástico Pedro Marcílio Leite. "Além de esculpir as peças, ele faz a pintura e o folheamento em ouro. Não conheço ninguém que faça isso com tanta perfeição. A técnica de envelhecer seus trabalhos é a mesma dos artistas barrocos dos séculos XVII e XVIII", informa Marcílio. Em Duque de Caxias, Darcílio recebeu alguns prêmios, destacando-se três medalhas de prata no Salão de Arte Sacra, promovido pela Sociedade de Cultura Artística. Darcílio está sendo homenageado por Marcílio em um cordel, "O Santeiro de Caxias", lançado pelo Movimento de Resistência Cultural Barboza Leite.
Quem desejar entrar em contato com o artista os telefones são 3659-8667 e 9632-1140.

(Josué Cardoso para a 'Revista da Cultura Caxiense', Edição nº 9, da Secretaria de Cultura de Duque de Caxias, em Novembro de 2004, cuja edição não chegou a ser impressa. Foto: Pedro Marcilio Leite)

A identidade de um povo deve ser respeitada

► Entendemos cultura como o modo de ser e de viver dos grupos sociais - a língua, o comportamento, trabalho, regras de convívio, o que se come e bebe, o que se veste, tudo isso contribuindo para a formação de um povo. Em um país tão diverso e grandioso como o Brasil, não podemos falar de uma cultura única, mas das muitas culturas que o formam.
Essa identidade se materializa através do levantamento e da preservação do seu Patrimônio Histórico e Cultural. Este deve ser visto como um grande acervo, no qual estão registrados acontecimentos e fases da história de uma cidade e seus habitantes. O sentido da conservação e manutenção começa pelo convencimento da importância desse acervo, um conjunto de bens móveis e imóveis de interesse público, seja por fatores memoráveis da historia ou por seu valor arqueológico, arquitetônico, etnográfico, bibliográfico ou artístico.
A valorização desse patrimônio, que carrega consigo a história da civilização humana, sua memória e identidade, deve ser prioridade. Sempre.Ela contribui para a consciência da preservação e influencia as gerações a valorizar e aumentar esse patrimônio, conservá-lo, para que faça parte da vida de seus sucessores.
O Patrimônio Histórico Cultural da Baixada Fluminense é de valor inestimável. À medida que pesquisamos acontecimentos do passado da nossa região, visualizamos a importância que a mesma teve para o desenvolvimento do País. Por outro lado, se nos fixarmos no aspecto da preservação dos bens físicos, a falta de atenção do Poder Público como agente político e catalizador, é notória ao longo da história. Se formos mais além, constataremos também que as fontes que contribuíram para a nossa formação cultural também carecem de atenção.
Apesar da luta de intelectuais, artistas e entidades ao longo das décadas, a cultura, infelizmente, ainda não é prioridade nos planos dos governos que se sucedem. A começar pelas nomeações nos órgãos públicos culturais que, em geral, acabam submetidas a interesses políticos. Há exceções, certamente, mas são poucas. Tudo parece ser deliberado - afinal, um povo com saber e conhecimento não serve de manobra política. E assim, a Baixada, que já produziu muita história e fez parte da vida nacional, fica relegada a mero espectador do Rio de Janeiro.
A responsabilidade da preservação do patrimônio não deve ser papel exclusivo do Estado. A nós, cidadãos e produtores de cultura, cabe o desafio de nos mantermos organizados e contribuir para o debate de idéias e formação de projetos, bem como o encaminhamento de sugestões ao Poder Público, este, sim, detentor de mecanismos legais que podem estimular parcerias e, efetivamente, cumprir o seu papel no contexto histórico. Quanto à recuperação e manutenção dos nossos bens artísticos-culturais e ações de incentivo aos talentos locais, aos quais nos referimos em parágrafos posteriores, o Poder Público deve estar à frente e disponibilizando sua contribuição material. Não há como fugir disso, como defendia o professor Stélio Lacerda, que esteve à frente da Secretaria de Cultura de Duque de Caxias entre 1992 e 1998: é o feijão-com-arroz, de vital importância para o dia-a-dia. Cabe a ele, Poder Público, criar formas e meios de patrocinar pesquisas, resgatar valores, revelar talentos, promover o conhecimento e geração de renda, aproximar crianças de prática culturais e desenvolver a qualificação dos jovens, enfim, elevar os padrões de cidadania.
Duque de Caxias, cidade que já ultrapassou a marca de um milhão de habitantes, se destaca como a oitava em arrecadação no País e a segunda no Estado. A cidade, onde há várias décadas trabalhamos para vivenciarmos cultura de forma mais intensa e qualitativa, tem relevante importância dentro do processo histórico da região. Podem ser destacados, apenas a título de informação para os pouco familiarizados com o assunto, o papel da Federação de Reisado do Estado do Rio de Janeiro-FRERJA, fundada no início dos anos 70 e que atua na preservação dos grupos de Folias de Reis em todo o Estado; da tradicional Feira de Domingo, iniciada por imigrantes nordestinos na década de 40, cujas mais de 2000 barracas ocupam hoje as Avenidas Presidente Vargas e Duque de Caixas (parte) e a Rua Dr. Gastão Cruls, no bairro 25 de Agosto, e tem repercussão em outros Estados por ser a maior feira ao ar livre do país; da Sociedade Artística e Musical Lira de Ouro, com 48 anos de existência e que teve papel importante na formação de vários músicos que despontam no cenário artístico nacional; dos jornais “O Municipal” e “Folha da Cidade”, ambos com mais de meio século de circulação ininterrupta; da Rádio Difusora AM (hoje arrendada para um grupo religioso de São Paulo); da Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio; da Associação de Imprensa da Baixada (AIB); Associação Carnavalesca; Academia Duquecaxiense de Letras e Artes (ADLA), grupos afro-culturais, rádios comunitárias, sem esquecermos de tantas outras entidades e talentosos artistas e grupos que buscam o seu espaço.
Cenário para várias produções do cinema nacional, a cidade tem um Patrimônio Cultural bastante significativo, formado por Igrejas históricas como a Catedral de Santo Antonio, Igreja Santa Terezinha, Nossa Senhora do Pilar e a Fazenda São Bento, as três últimas todos de responsabilidade do IPHAN; o Museu Histórico Duque de Caxias, os Teatros Armando Mello (o primeiro erguido pela Prefeitura na cidade) e Darcy Ribeiro (do Centro Cultural Oscar Niemeyer), a Sala de Leitura Dr. Gastão Reis (a primeira inaugurada na cidade) e as Bibliotecas Públicas dos 1°, 2°,3° e 4° Distritos, todos administradas pela Prefeitura; o Instituto Histórico Vereador Thomé Siqueira Barreto, a Biblioteca José do Patrocínio e o Teatro Procópio Ferreira (mantidos pelo Poder Legislativo); a “fortaleza” de Tenório Cavalcanti, onde residiu o polêmico político; o Hotel Municipal, que pertencia ao deputado Tupinambá de Castro e serviu como sede da Prefeitura na época da criação do Município; e o prédio da Praça Governador Roberto Silveira, que antes de abrigar o Poder Executivo como a primeira sede própria, serviu para a produção de massas alimentícias. E não pára por aí, a lista é enorme - tem a escola Mate com Angu, o Colégio Aquino de Araújo, a Fábrica Nacional de Motores, o terreiro de Joãosinho da Goméa, o cassino da Rua Dr. Manoel Teles, o edifício Alvorada, o cinema da FNM, a fábrica de tecidos, de vidros, de açúcar, de fogões, de sabão, etc e etc.
Não há desenvolvimento cultural sem a base de experiências realizadas e sem ações artísticas e sociais vinculadas à tradição. O patrimônio cultural é um componente vital de todo processo civilizatório. Uma cidade que preserva seu patrimônio dá uma grande contribuição para o cidadão enfrentar o futuro, especialmente às pessoas que ainda não absorveram a frieza das chamadas “cidades modernas”, em uma era de globalização. Uma cidade não é apenas um amontoado de coisas sem sentido. Deve, sim, resgatar e respeitar o seu passado, fazendo dele o combustível para enfrentar o futuro. Os bens culturais devem se integrar à vida das pessoas, elementos ativos que pavimentam a estrada do amanhã, com sua carga de valores históricos, artísticos e sociais.

(Josué Cardoso, Editorial do "Jornal do Folclore", Edição nº 10 (Março de 2005), da Federaçao de Reisado do Estado do Rio de Janeiro)