Terça-feira, Dezembro 27, 2005

Banda Lira de Ouro sonha virar Orquestra Sinfônica

A Lira de Ouro, durante a comemoração do 1º aniversário, no dia 12 de março de 1958, em frente à Igreja de Santo Antônio

► Referência na Baixada Fluminense, a Banda Lira de Ouro vai completar 46 anos de fundação no dia 12 de março de 2003. Com nova diretoria, tem vários projetos prontos para iniciar um novo ciclo em sua história. Os momentos difíceis pelos quais passou foram muitos, o que, no entanto, parecem ter servido como novo estímulo para “seguir a caminhada”, de acordo com o seu músico mais antigo, o trombonista Acácio de Araújo, que completou 92 anos dia 10 de novembro.

“Bons tempos eram aqueles das apresentações nas praças, da participação em eventos cívicos, militares e festas religiosas. “Nossas apresentações sempre agradavam a todas as gerações, desde as crianças aos mais idosos”. Fazendo questão de frisar que não abandona seu instrumento, o músico não precisa puxar muito a memória para lembrar nomes de comerciantes e personalidades que sempre se dispuseram a colaborar com a entidade, como Alaíde Cunha, Carlos dos Santos Vieira e a família Mendonça, entre inúmeros outros. “A Lira de Oura era admirada e respeitada onde quer que se apresentasse”, observou seu Acácio, que diariamente dá o ar de sua graça na sede da Entidade e recebe a todos com a melhor atenção possível. Quando o assunto é música, a conversa pode durar muitas horas.

Ele lembra quando veio de Campos para Duque de Caxias, em 1933. Já era músico e, com alguns outros, formou um grupo que contava com 16 músicos. Eles usavam vários nomes “mas o que ficou mesmo foi 7 de Setembro”. O grupo foi o precursor da Sociedade Musical e Artística Lira de Ouro, que foi oficializada em março de 1957. Recorda também dos primeiros mestres da Lira, como João Antonio do Espírito Santo, que a dirigiu por 4 anos; Walter Barros, o Vidinho, por 13 anos; e o Tenente da Polícia Militar Arlon Neiva, que ficou à frente da entidade por 14 anos. E do atual presidente de honra, Ramiro Graça Peixoto, que caminha com a Lira de Ouro desde a sua fundação e atualmente está com 93 anos.

Elogia a iniciativa do então presidente Juscelino Kubitschek de valorizar os músicos profissionais. “A profissão foi reconhecida e nós passamos a ser mais respeitados. Depois, com o tempo, tudo foi se perdendo e hoje está do jeito que está”, lamenta, sem, contudo, perder a esperança em dias melhores. “Não podemos desistir de enfrentar as dificuldades. Temos que estar sempre de pé”, prega o incansável músico, que participa dos ensaios da banda todas as sextas-feiras.

UMA ESCOLA DE VERDADE

- A Lira de Ouro sempre desempenhou o papel de uma verdadeira escola para aqueles que tinham como horizonte atuar profissionalmente como músico. Ela serviu como canal para revelar grandes talentos, que se destacariam em carreiras individuais ou mesmo em corporações militares. Nas duas últimas décadas, por exemplo, saíram de lá o saxofonista e flautista José Mendes, que trabalhou durante alguns anos sob contrato na Asa Branca e hoje atuando na banda da cantora Alcione, e o flautista João Bosco, que integra o Grupo Nosso Canto. O repertório sempre foi dos melhores, situado entre o clássico e o popular, resgatando obras de Pixinguinha, Benedito Lacerda, Heitor Villa-Lobos, Carlos Gomes e a dupla Jararaca e Ratinho.

Segundo o atual presidente Paulo Roberto Teixeira Lopes, o Beto Cavaco, ex-coordenador de Cultura do Município, até há algum tempo a Lira de Ouro tinha um calendário intenso de apresentações. Os anos se passaram e, sob influência da modernidade e da globalização impostas pelos grandes países, as tardes de retretas nas praças e a animação nos coretos da cidade deram lugar a outras manifestações distantes da nossa cultura, como os bailes de discotecas e, nos dias atuais, o funk. O inevitável, porém, segundo ele, acabou acontecendo com o passar do tempo: o entusiasmo da Lira de Ouro diminuiu e os músicos foram se afastando. “Sabemos da importância de uma banda em plena atividade na vida de um grande município como Duque de Caxias. Temos a esperança que novos horizontes se abrirão”.

NOVOS PROJETOS RENOVAM A ESPERANÇA

- A Lira de Ouro é um de nossos maiores exemplos de resistência, um belo, verdadeiro e legítimo “cartão de visitas” para Duque de Caxias - disse empolgado o presidente da Entidade, que conta com nova diretoria desde meados do ano passado. Logo ao assumir, os novos dirigentes promoveram um show beneficente, “Eu sou da Lira, não posso negar”, no Tribunal do Chope, com a participação de inúmeros artistas da cidade, como Beto Gaspari, Marcelo Ferreira, Edinho Nascimento, Grupo Nosso Canto, Banda Quarto Crescente e membros da própria Lira de Ouro.

A diretoria assumiu com a disposição de promover o resgate da entidade e torná-la mais que uma banda de interior. “Temos planos para transformá-la em uma verdadeira sinfônica, o que permitiria mostrar o talento, o poder de criação, o desenvolvimento e a consolidação da cultura em Duque de Caxias”, segundo o conselheiro Roberto Gaspari, que também já respondeu pela Coordenadoria de Cultura da cidade. Este grupo de músicos e intelectuais do Município, na sua maioria, é integrado por pessoas que sempre demonstraram engajamento em promoções de caráter cultural. Ele demonstra muita vontade em desenvolver projetos para transformar a sua sede própria, de cerca de 500 metros quadrados, localizada em área nobre no centro do Município, em um Centro Cultural ou Fundação. “Queremos atuar como um espaço cultural físico e, ao mesmo tempo, órgão fomentador de iniciativas, idéias e propostas renovadoras”, acrescentou Cavaco. Segundo ele, a “nova” entidade se dedicaria ao ensino da música e outras manifestações artísticas para os jovens de baixo poder aquisitivo que não dispõem de opções para o futuro. “Pretendemos dinamizar nossas atividades com uma política participativa, buscando novos caminhos”.

A atual diretoria da Lira de Ouro está assim formada. Presidente de honra - Ramiro Graça Peixoto, presidente – Paulo Roberto Teixeira Lopes (Beto Cavaco), Vice-presidente - José Machado Filho, Procurador - Dr. Geraldo Flávio Campos Dias, 1ª Secretária - Rosa Cristina da Silva Leite, 2ª Secretária - Maria José Correia Ferreira, 1º tesoureiro - Maria Marta Luna de Almeida, 2º Tesoureiro - Luís Alves Peixoto, Curador - Gelson Ramos da Costa, Diretor Artístico e Cultural - Rildo Pereira, e Diretor de Patrimônio - Acácio de Araújo. O Conselho Fiscal é integrado por Luiz Tavares Perco, Reinaldo Barreto Lisboa, Roberto Gaspari Ribeiro e Wilson Viveiro da Fonseca. A Sede Própria da Entidade está localizada na Rua José Veríssimo nº 72, centro, Duque de Caxias, e funciona diariamente.

(Josué Cardoso, para a Revista da Cultura Caxiense nº 4, Dezembro de 2002. Foto: Acervo da Lira de Ouro)

1 Comments:

At 7:31 AM, Junho 27, 2008, Anonymous Anônimo said...

Bom dia. Gostaria de manifestar o meu apoio a Banda Lira de Ouro de Duque de Caxias, Pois sou um dos componentes dela meu nome Roberval Santos de A.Costa Pistonista onde durante muito tempo assumi o 1°Piston da Bancada mais hoje vejo a Lira de Ouro abandonada coisa difícil de se acreditar pelo local onde esta localizado a sede da Banda em pleno Centro de Duque de Caxias, se a prefeitura não colocasse a lira de ouro em segundo plano, acredito que ela sim poderia atingir um estagio de Orquestra Sinfônica, ou se cada comerciante ou empresário de duque de caixas ajudassem com R$ 1,00 a Historia seria outra.

 

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