Academia Duquecaxiense de Letras e Artes comemora mais um aniversário
►O ano era 1967, quando um grupo de intelectuais e artistas, tendo ä frente o então presidente do Lions Clube, o cirurgião-dentista Eli Guimarães, se reuniu e decidiu criar uma entidade que congregasse pessoas nas áreas das letras, das artes e da ciência, e servisse também de veículo fomentador, de apoio e divulgador das artes locais. Nascia, assim, no dia 25 de agosto, a Arcádia Duquecaxiense de Letras e Artes. Em 31 de maio do ano seguinte, a entidade transformou-se em Academia, assumindo como presidente o jornalista e escritor Laís Costa Velho.
- Era preciso mostrar ao restante do Estado que a Baixada Fluminense não era apenas a “região violenta” que a grande imprensa do Rio de Janeiro procurava mostrar na época. Por isso, foram estimuladas cada vez mais as noites de arte e cultura e o lançamento do jornal literário Arcádia de Letras e Artes - depôs a escritora e professora Vera Ponciano, que ocupa a Cadeira Cecília Meireles. Segundo dados levantados por ela, no “grupo precursor” da futura Academia, em novembro de 1967, estavam Alberto Machado, Amarílio Aguiar, José Soares, Edgar de Sousa, Eudóxio de Azeredo, Erasmo Soares, Euricles de Aragão, Herbert Moses, Homero Batista, Joaquim Tenório, Laís da Costa Velho e Salvador Rocha.
A cidade dava, assim, passos importantes na área cultural, em plena vigência da ditadura militar. Depoimentos de membros, bem como de observadores, informam que a convivência entre seus membros sempre foi amistosa e cordial, apesar de reunir tendências conservadoras, moderadas e progressistas. “A Academia sobreviveu a tudo sem sair dos princípios com que foi criada”, disse em entrevista o Acadêmico e ex-presidente José Soares de Souza, por ocasião das comemorações do 30º aniversário da ADLA.
A sede da Academia foi instalada inicialmente na Redação do jornal O Municipal, de propriedade do acadêmico Euricles de Aragão, já falecido, e que circula até os dias de hoje. A partir de então, inúmeros eventos culturais passam a acontecer na cidade sob a chancela da Academia, projetando “o outro lado da cidade” além de suas fronteiras. Eram exposições de artes plásticas e encontros literários, conferências, festivais e peças teatrais, além da edição de um boletim semanal e lançamentos de livros de autores locais, entre outras iniciativas.
Os resultados não demoraram a chegar e a entidade recebe o troféu Euclides da Cunha, do poeta Gastão Neves, e um título de Utilidade Pública do Governo do Estado. Em junho de 1968, a Academia recebeu a visita ilustre de Austregésilo de Athayde, que sugeriu a criação do cargo de Presidente de Honra. A ADLA adotou a idéia e convidou Agripino Grieco para ocupá-lo.
IMORTAIS - A ADLA, presidida pelo advogado Francisco Quixaba Sobrinho, que ocupa o cargo pela quinta vez consecutiva, comemorou mais um aniversário de fundação no dia 28 de maio último, com uma solenidade e coquetel no Plenário da Câmara Municipal, onde foram homenageadas algumas personalidades, entre elas o secretário municipal de Cultura, Gutemberg Cardoso.
A primeira mulher a ingressar na Academia foi a professora e escritora Dalva Lazaroni, em 1985. Das suas 40 Cadeiras, apenas 30 estão ocupadas, cujos membros são os seguintes: Ademar Duarte Constant, Alfredo da Costa Paschoal, Álvaro Lopes, Carlos Alberto de Mendonça, Carlos de Sá Bezerra, Dahas Chade Zarur, Dalkir Teixeira Santos, Dalva Lazaroni de Moraes, Elton Francisco da Cruz, Emília Lazaroni de Rezende, Eudóxio de Azeredo, Francisco Buscácio, Francisco Quixaba Sobrinho, Geraldina Silva Guerra, Irani Fonseca Correia, Íris Poubel de Menezes Ferrari, Ivone Boechat de Oliveira, José Amarílio de Aguiar, José Soares de Souza, Laís Costa Velho, Liborni Siqueira, Manoel Tomás, Maria da Penha Santiago Bessa, Martha Ignêz de Freitas Rossi, Messias Neiva, Paulo César Ramos, Ricardo Augusto de Azeredo Vianna, Sidney César Silva Guerra, Vera Lúcia Ponciano da Silva e Vilma Teixeira de Oliveira.
(Josué Cardoso para a Revista da Cultura Caxiense nº 2, Julho de 2002)


1 Comments:
Em muito me orgulho de ter minha primeira professôra, da época do primário, pertencente a ADLA. Professora Emília Lazzaroni de Resende. Creio que ela teria orgulho em saber estar eu, hoje, na Presidência da República, em Brasília/DF.
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