Feira de Domingo: o resgate das tradições nordestinas na Baixada
► Considerada uma das maiores atrações de Duque de Caxias há algumas décadas, a tradicional Feira de Domingo é talvez a maior feira livre do País. São cerca de 2000 barracas distribuídas por toda a Avenida Presidente Vargas, trechos da Avenida Duque de Caxias, da Rua Gastão Cruls e adjacentes. Um verdadeiro pedaço do Nordeste brasileiro encravado na Baixada Fluminense, fazendo parte da vida da população local e até mesmo de outras cidades. Como ocorre há mais de meio século, milhares e milhares de pessoas reservam uma parte do domingo para visitá-la, seja para as compras rotineiras - frutas, legumes, carne, aves e ovos - ou de produtos diversos, como ferramentas, louças, roupas, sapatos e peças em geral.
A culinária nordestina, que já teve ênfase maior, especialmente na década de 70, atrai grande parte dos freqüentadores em busca de produtos ou para saborear iguarias como carne de sol, feijão de corda, tapioca, queijo-de-coalho e aguardente das mais variadas marcas. Os anos setenta e até mesmo parte dos oitenta foram época também de pujança artística. Era comum encontrar em algum ponto da Praça Governador Roberto Silveira, repentistas e cantadores, como o saudoso Mineiro da Viola (ele chegou a representar o Município em eventos fora da Baixada), que aproveitavam a grande movimentação de pessoas para mostrar seus trabalho e participar de rodas de conversas. Também havia literatura de cordel, oficina de artes, teatro popular e apresentações de malabaristas.
Antes apenas um local de encontro de colecionadores, a chamada “Feira de Passarinhos” é hoje um segmento alvo de permanente polêmica e que aparece com freqüência no noticiário policial. Apesar da repressão liderada por órgãos de defesa do meio ambiente, mais acentuada nos últimos anos, ele ainda atrai muitos interessados em pássaros e animais silvestres, como micos, jabutis, papagaios e araras, entre muitas outras espécies. As batidas vêm sendo feitas com freqüência pelo Instituto Estadual de Florestas com apoio da polícia e da Guarda Municipal, cujo resultado é a apreensão dos animais e autuação dos comerciantes.
A Feira de Domingo, retratada em literatura de cordel por Barboza Leite, é uma tradição que vem desde a década de 40, não havendo registro preciso do ano. No entanto, notas publicadas na imprensa local e em livros relatam que sua origem é mais antiga, ainda nos anos 20. Naquela época, as plataformas da Estação Ferroviária de Meriti serviam de tabuleiros para venda de mercadorias, aproveitando o grande fluxo de pessoas. Com o passar dos anos, a Avenida Presidente Vargas consolidou-se como ponto de referência do comércio aos domingos e este foi-se ampliando para os logradouros adjacentes.
Ao longo de todas essas décadas, a Feira resistiu a muitas tentativas de mudanças. E não foram poucas, desde a padronização de barracas até uma fiscalização mais eficaz pela vigilância sanitária nos boxes de venda de carnes e aves abatidas e outros alimentos in natura. No entanto, o comércio mostrou sua força através dos tempos e serviu até como lançamento de produtos, entre eles vários tipos de macarrão, como parafuso, goela-de-pato e talharim, disponíveis pela primeira vez em uma barraca que oferecia produtos de fabricação caseira. Os saborosos biscoitos amanteigados também tiveram a Feira de Domingo como porta para sua divulgação e popularização.
(Josué Cardoso para a Revista da Cultura Caxiense nº 4, Dezembro de 2002)


1 Comments:
Ha 24 anos estou morando em são paulo,mas fui criada na baixada fluminense onde a unica diversao nossa era passear na feira de duque de caxias aos domingos e esperar o forro para nos divertirmos.pra vc ter uma ideia,foi na época em que aquela favela atras do shopping center estava começando.No mes passado me deu uma grande tristeza,porque todas as férias íamos assitir aos shows de bandas na praça da prefeitura e rever grandes amigos lá e só gente bonita chegando,com comidas gostosas,nada a perder para a feira de são cristóvao.meu feriado foi triste,porque não achamos para onde a feira foi ou será qua acabou?
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